Apenas 47% dos portugueses sabem onde recorrer em caso de necessidade médica, revela inquérito

12 de Novembro 2025

Um inquérito nacional divulgado pela Convenção Nacional da Saúde revela que a maioria dos portugueses não sabe exatamente onde recorrer em caso de necessidade médica, evidenciando dificuldades no acesso e na navegação pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). Apenas 47% dos inquiridos afirmam saber para onde se dirigir em situações médicas urgentes, enquanto metade dos participantes refere enfrentar problemas ao tentar obter respostas ao contactar o SNS.

O estudo, integrado no Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS), realça que apenas 39% dos utentes consideram fácil o processo de marcação de consultas, exames ou tratamentos, indicando entraves administrativos e operacionais significativos. Além disso, 50% dos entrevistados admitem sentir-se perdidos dentro do sistema de saúde, o que demonstra uma clara falta de orientação e clareza nos mecanismos de navegação do SNS.

A situação é ainda mais preocupante entre os doentes crónicos, que mantêm contato regular com o sistema. Cerca de 30% destes doentes sentem-se desorientados ao tentar aceder aos serviços de saúde, e 51% relatam dificuldades em obter uma resposta ao ligar para os serviços do SNS, valor superior ao dos participantes sem doença crónica, que é de 43%.

O relatório sublinha a existência de barreiras administrativas e de comunicação pouco eficazes, que dificultam o acesso e a orientação dos utentes, sobretudo dos doentes crónicos. Face a estes desafios, a Convenção Nacional da Saúde defende a necessidade de investir em estratégias que promovam maior clareza, apoio personalizado e simplificação dos processos no SNS, visando melhorar a experiência dos utentes e garantir uma navegação mais eficiente e inclusiva.

O estudo destaca ainda o papel fundamental que as associações de doentes podem desempenhar na promoção da literacia em saúde e na informação sobre a navegabilidade no sistema público. O inquérito, realizado entre junho e outubro de 2024, recolheu 457 respostas, maioritariamente de mulheres (67%) com mais de 40 anos (83%) e com pelo menos uma doença crónica (82%). A maioria dos participantes tem médico de família (86%), 47% dispõe de seguro de saúde e 35% beneficia de subsistemas de saúde como ADSE ou SAMS.

Segundo o RADIS, o número total de utentes inscritos no SNS aumentou mais de 522 mil entre setembro de 2016 e setembro de 2025, um crescimento de 5,1%, totalizando 10.681.987 inscritos.

lusa/HN

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