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A diabetes tipo 2 continua a expandir-se a um ritmo preocupante, com milhões de pessoas em todo o mundo a enfrentarem os seus estágios iniciais ou a progressão para a doença declarada. Entre os fatores que contribuem para este cenário estão o sedentarismo e hábitos alimentares pouco equilibrados, que potenciam não só a resistência à insulina e o excesso de peso, mas também o aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Curiosamente, os níveis de crómio no organismo tendem a diminuir com a idade e em situações de resistência à insulina. Foi essa constatação que motivou uma equipa de investigadores a realizar uma revisão sistemática e meta-análise de 64 estudos, envolvendo um total de 3.004 participantes com idades entre os 18 e os 90 anos. Desses, 34 estudos centraram-se em doentes com diabetes tipo 2 e os restantes 30 em indivíduos não diabéticos.
Os resultados, publicados em dezembro de 2023 na revista JACC: Advances, mostraram que a toma de suplementos de crómio contribuiu para a redução de vários indicadores glicémicos, como a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada (HbA1c) e os níveis de insulina. Para além disso, registaram-se melhorias nos perfis lipídicos – incluindo reduções do colesterol LDL, colesterol total e triglicéridos – e uma descida da pressão arterial sistólica.
Em estudos anteriores, como um conduzido pela Universidade Charles de Praga, já se havia observado que a administração de levedura de crómio orgânico, numa dosagem diária de 100 microgramas, melhorava a sensibilidade à insulina e o controlo glicémico em doentes diabéticos. Num outro trabalho, com a mesma preparação, os participantes exibiram ainda menor stresse oxidativo, um fator associado a complicações crónicas da diabetes.
Apesar de o crómio estar presente em alimentos como brócolos, carne de vaca, feijão verde, nozes, bananas ou sumo de uva, as quantidades são geralmente insuficientes para suprir as necessidades, especialmente em contextos de doença. A suplementação surge, por isso, como uma alternativa viável.
Entre as várias formas de crómio disponíveis, a levedura de crómio orgânica destaca-se por ser absorvida até dez vezes melhor do que as versões sintéticas, como o picolinato ou o cloreto de crómio. Do ponto de vista da segurança, o mineral é considerado bem tolerado, com poucos registos de efeitos adversos mesmo em doses mais elevadas.
Esta linha de investigação reforça a noção de que micronutrientes como o crómio podem ter um impacto relevante na modulação de fatores de risco cardiometabólicos, ainda que sejam necessários mais estudos para consolidar as dosagens e formas de administração mais adequadas.
PR/HN



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