Ensaios clínicos em Portugal batem recordes com número de doentes a duplicar desde 2021

13 de Novembro 2025

O número de doentes incluídos em ensaios clínicos em Portugal mais do que duplicou entre 2021 e 2024, atingindo os 5.895 no ano passado. A atratividade do país para a investigação clínica traduz-se em acesso antecipado à inovação terapêutica para milhares de portugueses

Portugul está a afirmar-se como um destino competitivo para a realização de ensaios clínicos, com indicadores a registarem progressos consistentes nos últimos anos. Dados do INFARMED citados no RADIS mostram que o número de doentes incluídos em estudos clínicos passou de 2.950 em 2021 para 5.895 em 2024, representando um crescimento de 36% face a 2023 e o segundo ano consecutivo com crescimentos acima dos 30%. Em paralelo, o número de ensaios clínicos ativos atingiu um nível recorde de 556 em 2024, sugerindo uma base instalada mais robusta de investigação em curso. As submissões de novos ensaios passaram de aproximadamente 175 em 2021 para 204 em 2024, com as autorizações a evoluírem de 144 para 198 no mesmo período. Cerca de 90% das submissões têm iniciativa da Indústria Farmacêutica, uma quota que apresenta trajetória de crescimento.

Esta aceleração é consistente com o reforço da atratividade do país, impulsionado por fatores como maior autonomia dos centros de investigação, lideranças mais orientadas para os ensaios clínicos, recursos humanos dedicados e a diminuição dos tempos de análise regulamentar. O perfil dos ensaios também está a diversificar-se: se os estudos de Fase III se mantêm dominantes (cerca de 71% em 2024), verifica-se um ganho de peso na Fase II (14% para 20%), o que aponta para um pipeline mais equilibrado com maior presença de estudos precoces. Para os doentes portugueses, esta dinâmica traduz-se num benefício direto: o acesso antecipado a terapias inovadoras que ainda não estão disponíveis no mercado, muitas vezes em fases em que as opções de tratamento convencionais se encontram esgotadas. O desafio que se colora agora é continuar a ganhar escala – para doentes, profissionais e para a qualidade e eficiência do SNS – através do fortalecimento da capacidade instalada, da maior previsibilidade regulamentar e da digitalização ao longo de toda a cadeia de valor dos ensaios clínicos.

PR/RADIS/HN

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