Hospitalização domiciliária cresce 62% em quatro anos mas mantém assimetrias regionais

13 de Novembro 2025

A capacidade para hospitalização domiciliária em Portugal registou um crescimento de 62,2% entre 2020 e 2024, atingindo as 365 camas. A expansão, que gera ganhos de eficiência e humanização, não eliminou as disparidades regionais no acesso a esta modalidade

A hospitalização domiciliária está a consolidar-se como uma componente estratégica do Serviço Nacional de Saúde, com uma expansão notável da sua capacidade instalada nos últimos anos. De acordo com dados do Portal Benchmarking da ACSS, integrados no RADIS, o número de camas/doentes integrados em programas de hospitalização domiciliária passou de 225 em 2020 para 365 em 2024. Este crescimento de 62,2% reflete uma aposta política clara num modelo de cuidados que combina a eficiência técnica com a humanização da assistência, permitindo que os doentes recebam tratamentos complexos no conforto do seu ambiente familiar. A taxa de utilização desta capacidade acompanhou esta expansão, situando-se nos 82% em 2024, um acréscimo de 7 pontos percentuais face ao período homólogo. O número de doentes integrados no programa atingiu os 10.916 em 2024, um incremento de 22% relativamente a 2023.

A análise regional revela, contudo, um panorama desigual. O Norte e Lisboa e Vale do Tejo lideraram o crescimento absoluto, evoluindo, respetivamente, de 60 para 119 camas e de 79 para 133 camas no período em análise. Já a região Centro apresentou uma trajectória menos expressiva, com uma ligeira redução em 2024. As taxas de utilização também variam significativamente: o Alentejo regista a taxa mais elevada (94%), sugerindo uma saturação da capacidade instalada, enquanto o Algarve apresenta 89%. Estes padrões indicam que, apesar do aumento global, persistem barreiras na distribuição de recursos e na capacidade de implementação, com implicações diretas para a equidade no acesso. Do ponto de vista económico e estrutural, esta modalidade contribui para ganhos de eficiência ao reduzir internamentos convencionais mais dispendiosos e libertar camas hospitalares. Contudo, a elevada taxa de utilização em algumas regiões pode indicar risco de sobrecarga, exigindo melhor planeamento e referenciação. O crescimento sustentado da hospitalização domiciliária representa uma mudança de paradigma nos cuidados de saúde em Portugal, mas a sua plena potencialidade só será realizada quando o acesso for uniforme em todo o território.

PR/RADIS/HN

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