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Num sinal encorajador sobre a eficácia do sistema de saúde português, a taxa de mortalidade evitável antes dos 75 anos continuou a sua trajetória decrescente. O RADIS revela que, em 2022, este indicador – que mede o número de mortes prematuras que poderiam ser evitadas através de intervenções de saúde pública e de cuidados médicos oportunos e eficazes – se situou nos 213,4 óbitos por 100.000 habitantes. Este valor representa uma quebra de 7,4% face ao ano anterior e posiciona Portugal como o 11.º país com a taxa mais baixa entre os 27 Estados-membros da UE, mantendo-se consistentemente 28% abaixo da média europeia, que foi de 296,2. A tendência de melhoria é consistente, sem ruturas abruptas, colocando Portugal num grupo favorável de países, atrás de nações como a Suécia ou o Luxemburgo, mas muito à frente de outros onde estes valores ainda são dramaticamente elevados, como a Letónia. A evolução positiva sugere que as políticas de saúde pública e a organização dos cuidados primários e hospitalares têm tido um impacto tangível na prevenção de mortes prematuras por causas como doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro e infeções.
Este resultado é provavelmente o fruto de uma conjugação de fatores. O reforço dos cuidados de saúde primários, os programas de prevenção cardiovascular, o aumento da cobertura vacinal – com destaque para a campanha contra a COVID-19 – e uma melhor gestão das doenças crónicas são apontados como contributos decisivos. A estabilização do indicador num patamar francamente inferior à média europeia indica que Portugal tem conseguido mitigar, de forma relativamente eficaz, vários fatores de risco, mesmo face a desafios estruturais como o envelhecimento populacional acelerado e as desigualdades regionais no acesso aos cuidados. Manter esta trajetória positiva, no entanto, exigirá um esforço continuado. A consolidação das estratégias preventivas e um foco redobrado na redução das disparidades territoriais são fundamentais para garantir que as regiões com menor acesso a cuidados de qualidade não comprometem os resultados nacionais. A pressão demográfica e o aumento da carga de doença crónica representam ameaças à progressão, exigindo maior eficiência e uma integração ainda mais profunda entre os diferentes níveis de cuidados.
PR/RADIS/HN



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