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No Dia Mundial da Qualidade celebramos mais do que um conceito, celebramos um compromisso. A Qualidade em Saúde não é apenas um conjunto de normas, relatórios ou procedimentos; é uma forma de estar, de pensar e de agir. É cultura viva, construída por todos os profissionais que, diariamente, dão sentido à missão do Serviço Nacional de Saúde.
Nas Unidades Locais de Saúde (ULS), onde se cruzam os cuidados primários, hospitalares e continuados, a integração é a palavra-chave. Mas integrar não é apenas articular fluxos e processos, é criar uma linguagem comum de qualidade que una equipas, alinhe objetivos e, acima de tudo, coloque a pessoa no centro.
Ao longo do nosso percurso profissional, vivemos a qualidade em diferentes contextos: os cuidados de saúde primários, com a sua proximidade à comunidade são geralmente o primeiro ponto de contacto dos cidadãos com o sistema de saúde, acompanham os utentes ao longo do ciclo de vida e facilitam a coordenação com outros níveis de cuidados e os cuidados de saúde hospitalares, onde a complexidade e a especialização exigem respostas rápidas e seguras. Hoje, no Gabinete da Qualidade da ULS Braga, onde convergem dados, experiências e visões, percebemos que pensar diferente é essencial para garantir que o Sistema de Gestão Integrado de Qualidade, Ambiente e Segurança (SGIQAS) seja verdadeiramente transversal.
Transversalizar o SGIQAS é integrar princípios e práticas da qualidade em todos os níveis de cuidados. Mas mais do que implementar metodologias, é construir uma cultura partilhada, onde cada profissional reconhece o seu papel na melhoria contínua. Isso implica alinhamento estratégico, comunicação eficaz entre equipas, partilha de boas práticas e monitorização permanente de indicadores de desempenho e segurança. Na prática, a transversalização ganha forma em ações concretas: auditorias internas integradas, projetos conjuntos de melhoria como a gestão da transição de cuidados entre serviços e níveis, indicadores comuns de desempenho e plataformas colaborativas para partilha de conhecimento.
Mas pensar diferente é ir mais longe, é romper com modelos fragmentados e promover uma visão sistémica da qualidade, suportada em ferramentas digitais e dados em tempo real. No nosso caso, o uso de PowerBI tem permitido transformar informação em conhecimento, traduzindo números em narrativas que orientam decisões e promovem transparência. A qualidade precisa de dados, mas precisa também de significado. Só faz sentido medir se aquilo que se mede melhora a vida de quem servimos — profissionais e utentes.
A liderança, neste contexto, deve ser facilitadora e inspiradora. Ouvir as equipas, promover espaços de partilha e reconhecer o contributo de cada um, são atitudes que geram confiança e envolvimento. É nesse ambiente que a qualidade floresce, não como obrigação, mas como valor. O envolvimento da comunidade e a co-construção de estratégias com base no contexto local são igualmente fundamentais. Só assim se garante que os ganhos em qualidade se traduzem em mais acesso, mais segurança e mais dignidade. Por isso, também os indicadores de qualidade devem evoluir. Já não basta medir o desempenho isolado de um serviço. É preciso avaliar o percurso do utente através dos diferentes níveis de cuidados.
Transversalizar o SGIQAS numa ULS é um desafio exigente, mas profundamente recompensador. Exige coragem para rever processos, humildade para aprender com o erro e vontade para inovar. Mas, acima de tudo, exige pensar diferente, porque a Qualidade não pertence a um departamento, a um serviço, a uma unidade funcional ou a uma norma — pertence a todos nós. É o que nos liga enquanto profissionais e o que dá sentido ao cuidado que prestamos.
No fundo, pensar diferente é mais do que inovar — é agir com propósito.


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