Portugueses vivem mais anos, mas com pior qualidade de vida após os 65 anos

13 de Novembro 2025

Um português com 65 anos vive, em média, mais 20,5 anos, mas apenas 8 desses anos são vividos sem limitações graves de saúde. Esta proporção de anos saudáveis é uma das mais baixas da Europa, refletindo desafios na promoção da saúde e na gestão da doença crónica

Portugal enfrenta um paradoxo demográfico: a esperança de vida continua a aumentar, mas os anos adicionais são vividos, maioritariamente, com limitações funcionais e doença. O RADIS, com base em dados de 2022, revela que a esperança de vida aos 65 anos em Portugal (20,5 anos) supera ligeiramente a média europeia (20,2 anos). No entanto, o número de anos de vida saudável – ou seja, vividos sem limitações graves ou moderadas de saúde – aos 65 anos é de apenas 7,9 anos. Isto significa que, em média, um português que atinja os 65 anos viverá cerca de 12,6 anos com incapacidade ou doença, uma situação que coloca o país como o sexto pior da União Europeia neste indicador crucial de qualidade de vida. Os portugueses vivem mais anos, mas vivem significativamente mais anos menos saudáveis do que a maioria dos seus congéneres europeus.

Esta realidade coloca desafios monumentais aos indivíduos, às famílias e ao sistema de saúde e social. A baixa proporção de anos saudáveis após os 65 anos é um indicador de que os ganhos em longevidade não têm sido acompanhados por uma evolução proporcional na saúde funcional da população. Fatores como a elevada prevalência de doenças crónicas – cardiovasculares, diabetes, problemas musculoesqueléticos –, estilos de vida menos saudáveis e um insuficiente investimento em políticas de prevenção e promoção da saúde ao longo da vida são apontados como explicações para este cenário. Para o Serviço Nacional de Saúde e para a Segurança Social, esta trajectória traduz-se numa procura acrescida e prolongada por cuidados de saúde, medicamentos, internamentos e apoio social. A pressão sobre os recursos humanos e financeiros é intensa, exigindo uma reorientação estratégica que priorize não apenas o tratamento da doença, mas sobretudo a manutenção da capacidade funcional e da autonomia das pessoas à medida que envelhecem. Garantir que os anos extra de vida são vividos com qualidade é, talvez, o maior desafio de saúde pública que Portugal tem pela frente.

PR/RALIS/HN

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