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Portugal enfrenta um paradoxo demográfico: a esperança de vida continua a aumentar, mas os anos adicionais são vividos, maioritariamente, com limitações funcionais e doença. O RADIS, com base em dados de 2022, revela que a esperança de vida aos 65 anos em Portugal (20,5 anos) supera ligeiramente a média europeia (20,2 anos). No entanto, o número de anos de vida saudável – ou seja, vividos sem limitações graves ou moderadas de saúde – aos 65 anos é de apenas 7,9 anos. Isto significa que, em média, um português que atinja os 65 anos viverá cerca de 12,6 anos com incapacidade ou doença, uma situação que coloca o país como o sexto pior da União Europeia neste indicador crucial de qualidade de vida. Os portugueses vivem mais anos, mas vivem significativamente mais anos menos saudáveis do que a maioria dos seus congéneres europeus.
Esta realidade coloca desafios monumentais aos indivíduos, às famílias e ao sistema de saúde e social. A baixa proporção de anos saudáveis após os 65 anos é um indicador de que os ganhos em longevidade não têm sido acompanhados por uma evolução proporcional na saúde funcional da população. Fatores como a elevada prevalência de doenças crónicas – cardiovasculares, diabetes, problemas musculoesqueléticos –, estilos de vida menos saudáveis e um insuficiente investimento em políticas de prevenção e promoção da saúde ao longo da vida são apontados como explicações para este cenário. Para o Serviço Nacional de Saúde e para a Segurança Social, esta trajectória traduz-se numa procura acrescida e prolongada por cuidados de saúde, medicamentos, internamentos e apoio social. A pressão sobre os recursos humanos e financeiros é intensa, exigindo uma reorientação estratégica que priorize não apenas o tratamento da doença, mas sobretudo a manutenção da capacidade funcional e da autonomia das pessoas à medida que envelhecem. Garantir que os anos extra de vida são vividos com qualidade é, talvez, o maior desafio de saúde pública que Portugal tem pela frente.
PR/RALIS/HN



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