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Maria Eugénia Saraiva sublinhou que, apesar dos avanços médicos que tornaram o vírus da imunodeficiência humana (VIH) numa condição crónica e controlável, é essencial que haja adesão às terapêuticas e utilização regular do preservativo. “Apesar dos avanços da medicina que tornaram o VIH numa condição crónica e controlável, tem que haver adesão às terapêuticas, tem que haver o uso consistente do preservativo, porque esta é a forma mais eficaz de prevenir o VIH e as outras infeções sexualmente transmissíveis”, afirmou.
A presidente da LPCS lembrou que o sucesso dos tratamentos tem contribuído para que o tema seja menos presente na agenda pública. “Já não se morre. Nunca se morreu de SIDA. Já não se morre das doenças oportunistas. E daí também os jovens saberem que é mais uma infeção, uma doença que tem uma tendência de cronicidade, mas tem tratamento”, acrescentou, alertando para o risco de desvalorização da prevenção.
Segundo o Relatório da Infeção por VIH em Portugal 2024, Portugal mantém uma tendência decrescente nos novos diagnósticos, mas ainda apresenta taxas superiores à média da União Europeia. Em 2023 foram notificados 924 novos casos de infeção por VIH, com a taxa de diagnóstico mais elevada no grupo etário dos 25 aos 29 anos, sendo que 57,4% dos novos casos ocorreram entre os 20 e os 39 anos.
Estes números preocupam a LPCS, que defende a necessidade de campanhas direcionadas e adaptadas às linguagens e referências culturais das novas gerações. Como exemplo, foi lançada uma iniciativa em colaboração com o MC Zuka, que recria a música “Rola” com uma nova letra que promove o sexo seguro. “O funk realmente tem esta linguagem sexual, este ritmo, este tom e a energia. Mas queremos passar a tal mensagem que o prazer também se protege”, explicou Maria Eugénia Saraiva.
A LPCS destacou ainda a importância de distinguir entre métodos contracetivos e métodos de prevenção de IST. “Muitos confundem a pílula com o preservativo. E a pílula não previne as infeções sexualmente transmissíveis, como a sífilis ou a gonorreia, que são uma porta aberta também para a infeção por VIH”, alertou, salientando que a informação deve ser clara e acessível.
No âmbito da sua atuação junto das populações mais vulneráveis — incluindo homens que têm sexo com homens, trabalhadores sexuais, imigrantes, pessoas em situação de sem-abrigo e utilizadores de substâncias psicoativas — a LPCS mantém a oferta de rastreios gratuitos e apoio através da sua unidade móvel.
lusa/HN



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