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A população portuguesa continua a viver mais tempo, com uma esperança de vida à nascença de 82,5 anos, valor que se situa confortavelmente acima da média de 81,1 anos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Este indicador coloca o país num patamar similar a nações como a Bélgica e a Irlanda. Contudo, por detrás deste número positivo esconde-se uma realidade mais complexa. Os dados indicam que, apesar da longevidade, os portugueses passam uma parte considerável da sua vida posterior aos 60 anos com limitações de atividade. Em concreto, as mulheres com 60 anos podem esperar viver mais 25,1 anos, mas cerca de 27% desse tempo será vivido com restrições. Esta situação, comum a muitos países desenvolvidos, coloca uma pressão adicional sobre os sistemas de saúde e de cuidados de longa duração, exigindo políticas públicas que não se foquem apenas em prolongar a vida, mas também em melhorar a sua qualidade. O envelhecimento demográfico em Portugal é uma tendência irreversível e o aumento da prevalência de condições crónicas, como a diabetes e as doenças cardiovasculares, agrava este cenário. A necessidade de investir em prevenção, em estilos de vida saudáveis e em modelos de cuidados integrados que acompanhem as pessoas ao longo do seu percurso de envelhecimento torna-se premente. O relatório da OCDE serve assim como um alerta: viver mais não é sinónimo de viver melhor, e é precisamente nesse desígnio que as políticas de saúde para as próximas décadas se devem concentrar.
Link de acesso: https://doi.org/10.1787/8f9e3f98-en



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