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Segundo Hodak, o problema real reside no uso excessivo dos telemóveis, especialmente do iPhone, que cria um nível de dependência “absurdo”. “Se o deixarem numa outra sala por 10 minutos, longe de onde estão, as pessoas começam a ficar ansiosas e precisam de o ter de volta”, explicou. Para o CEO, o facto de a informação chegar ao cérebro através dos olhos ou ouvidos não é diferente de uma conexão direta, reforçando a ideia de que o cérebro já está vulnerável a influências externas.
Hodak destacou ainda a visão da Science sobre o cérebro como um computador e as interfaces cérebro-computador como uma área de estudo com múltiplas aplicações. A empresa está a desenvolver, entre outros projetos, a prótese retinal PRIMA, que restaurou a visão central funcional em doentes com atrofia geográfica devido à degeneração macular relacionada com a idade, uma das principais causas de cegueira.
O estudo clínico inovador foi publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) e a esperança é que o PRIMA seja aprovado para o mercado já no próximo ano. “Em vez de estarmos apenas em fase de investigação clínica, poderemos finalmente começar a indicá-la aos doentes”, afirmou Hodak.
Para além da prótese retinal, a Science está a desenvolver uma interface neural biohíbrida que utiliza neurónios vivos para se ligar ao cérebro, contornando as limitações das interfaces neurais tradicionais e minimizando danos ao tecido cerebral. Este implante é colocado no crânio e permite que os neurónios biológicos projetados cresçam e formem ligações biológicas com o cérebro, podendo ter aplicações em doenças como Parkinson e epilepsia. Hodak sublinhou que, ao contrário da inteligência artificial, que é atualmente mais conhecida e utilizada, a tecnologia BCI ainda está em desenvolvimento mas conta com uma grande comunidade académica e várias empresas de dimensão significativa a trabalhar na área.
O CEO da Science também refutou o mito de que apenas 10% do cérebro é utilizado, explicando que praticamente todo o cérebro está em uso, embora apenas uma pequena percentagem de neurónios esteja ativa num dado momento, mas continuam ligados de alguma forma. “O cérebro é o único órgão com o qual realmente me preocupo”, concluiu Max Hodak.
lusa/HN



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