Estudo revela aumento significativo nas pesquisas por lorazepam devido à série “The White Lotus”

15 de Novembro 2025

A popular série televisiva "The White Lotus" provocou um aumento considerável nas pesquisas online pelo medicamento lorazepam, utilizado no tratamento da ansiedade social e da insónia. De acordo com um estudo da Universidade da Califórnia, a série gerou, ao longo de doze semanas, mais 1,6 milhões de pesquisas pelo fármaco do que o esperado.

Na trama, a personagem Victoria Ratliff, interpretada por Parker Posey, faz uso frequente do lorazepam, muitas vezes em combinação com vinho branco, o que a leva a comportamentos estranhos, fala arrastada e sonolência durante o jantar. Este retrato terá influenciado o aumento do interesse pelo medicamento, que não foi observado em relação a outros benzodiazepínicos não mencionados na série.

Kevin Yang, da Universidade da Califórnia em San Diego e um dos autores do estudo, afirmou que “é um fenómeno realmente interessante a forma como os meios de entretenimento podem refletir e influenciar o comportamento humano”. A equipa também registou um acréscimo significativo nas pesquisas relacionadas com a compra de lorazepam, indicando, segundo Eric Leas, outro autor do estudo, que “pode haver um grupo de pessoas que realmente quer descobrir como obter este medicamento online”.

Ao longo da temporada, a personagem oferece o lorazepam ao marido, Timothy, que acaba por roubar os comprimidos e desenvolver dependência da droga em meio a uma crise financeira pessoal. Kevin Yang alertou para os perigos da combinação do medicamento com álcool, referindo que “sabemos ser muito perigoso” e que o lorazepam “é geralmente prescrito para uso a curto prazo, uma vez que o uso prolongado pode levar à tolerância e à dependência, bem como ao uso indevido”.

O investigador destacou ainda que estudos indicam que quase uma em cada cinco pessoas que recebem uma prescrição de benzodiazepinas acabam por fazer uso indevido das mesmas.

Segundo Kevin Yang, a série enfatizou os benefícios do uso de lorazepam, mas não abordou os riscos potenciais, como a dependência, a depressão respiratória e o défice cognitivo. “Não mostrou nenhum dos efeitos adversos que podem resultar do uso excessivo ou da interrupção abrupta”, afirmou.

Yang sugeriu que a indústria do entretenimento e os produtores de conteúdos considerem o impacto que a representação do consumo de drogas pode ter no comportamento dos telespetadores, recomendando a inclusão de avisos no início e no final dos episódios. Propôs ainda que os motores de busca online apresentem avisos informativos quando as pessoas pesquisam formas de obter o medicamento na internet, com foco em informações precisas e baseadas em evidências, bem como em recursos de apoio.

Por fim, o investigador encorajou os telespetadores a adotarem uma “abordagem cética” ao procurar informações online, lembrando que “no final de contas, para questões como a medicação, é importante falar com o médico”

lusa/HN

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