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O ar que se respira no Litoral Noroeste do Baixo Vouga tornou-se um motivo de preocupação aberta depois de, durante a tarde deste sábado, se ter verificado uma concentração de ozono superior aos valores legalmente estabelecidos. O aviso partiu da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que confirmou a ultrapassagem do chamado Valor Limiar de Informação na estação de monitorização situada em Estarreja.
Entre as três e as quatro da tarde, o equipamento mediu uma média horária de 184 microgramas de ozono por metro cúbico de ar, um número que disparou os alarmes e motivou a comunicação urgente às populações. O limiar que obriga à informação pública situa-se nos 180 µg/m³, um patamar a partir do qual se considera que a qualidade do ar pode ter efeitos negativos no bem-estar dos cidadãos. A leitura feita em Estarreja aproximou-se perigosamente do Valor Limiar de Alerta, fixado em 240 µg/m³.
Perante esta realidade atmosférica, a CCDR Centro não se limitou ao registo burocrático. O comunicado é claro ao descrever os perigos para a saúde humana, com especial foco nos grupos populacionais mais vulneráveis. Crianças, idosos ou pessoas com patologias respiratórias ou cardíacas prévias são as mais expostas a um poluente que ataca sobretudo as mucosas oculares e as vias respiratórias. Os sintomas podem materializar-se em queixas como tosse persistente, cefaleias, dores torácicas, sensação de falta de ar ou simples irritações nos olhos.
As recomendações emitidas às autarquias abrangidas são directas e pedem ação. Aos residentes de municípios como Albergaria-a-Velha, Estarreja, Murtosa, Ovar e de nove freguesias do concelho de Aveiro, a Comissão pede que reduzam ao estritamente necessário a atividade física intensa no exterior. O apelo estende-se à adoção de precauções adicionais, como evitar fumar ou manusear produtos com solventes agressivos — gasolina, tintas e vernizes são alguns dos exemplos dados. Aos doentes crónicos, a autoridade regional lembra a importância de cumprir escrupulosamente a medicação prescrita e de procurar assistência médica se os sintomas se agravarem de forma preocupante.
A situação de hoje veio assim expor, de forma tangível, a fragilidade da qualidade do ar numa região que, à primeira vista, poderia pensar-se mais protegida. O episódio ficará certamente na memória dos serviços e das pessoas, servindo de termómetro para a pressão ambiental a que estão sujeitas.
NR/HN/Lusa



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