Aumento da despesa com medicamentos não é exclusivo de Portugal – APAH

16 de Novembro 2025

A despesa do SNS com medicamentos em meio hospitalar aumentou quase 15% este ano. A Associação de Administradores Hospitalares justifica o valor com mais doentes, inovação terapêutica e envelhecimento, afastando a ideia de desperdício no consumo.

A despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos em ambiente hospitalar registou um acréscimo de quase 15% nos primeiros nove meses do ano, um fenómeno que a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) considera longe de ser um exclusivo nacional. Perante dados hoje divulgados pelo Infarmed, a associação aponta para a conjugação de dois fatores: o surgimento de fármacos inovadores, mais dispendiosos, e um aumento real do número de doentes.

“Estes números devem-se, essencialmente, por um lado, à inovação terapêutica. Temos cada vez mais fármacos inovadores, que se traduzem em melhores resultados, mas também em custos mais elevados. Por outro lado, o aumento de doentes. Temos uma procura maior, a população está a envelhecer e tem mais patologias”, explicou Xavier Barreto, presidente da direção da APAH, em declarações à Lusa. O jornal Público noticiou que esta subida representa, no período em análise, uma despesa hospitalar que se aproxima dos dois milhões de euros.

A associação, ainda que reconhecendo a magnitude do valor, garante que a utilização dos medicamentos é precedida de uma avaliação do Infarmed sobre o seu custo e efetividade. Deste modo, insiste que não se está perante “desperdício ou gasto excessivo”, mas sim perante a resposta a uma procura clínica crescente e mais complexa. A área da oncologia mantém-se na dianteira da despesa, um reflexo direto, segundo Barreto, do intenso investimento em investigação e do pipeline constante de novos tratamentos nesta especialidade.

“A medicina é vítima do seu próprio sucesso. Temos doentes que vivem muitos mais anos e, por isso, consomem mais fármacos. Isto traduz-se numa maior esperança média de vida e, em muitos casos, em mais qualidade de vida, mas isso tem custos”, observou o responsável, traçando um retrato dos desafios colocados pelo progresso científico. Sobre o consumo de medicamentos genéricos nos hospitais, que ronda os 57% este ano, Xavier Barreto admitiu que existe ainda um potencial de crescimento, assinalando, contudo, “assimetrias de unidade para unidade” que condicionam uma uniformização.

Num comunicado conjunto, o Ministério da Saúde, o SNS e o Infarmed atribuíram o aumento do consumo ao alargamento do acesso aos cuidados de saúde, a um maior número de utentes, à aplicação de regimes de comparticipação e ao acesso a medicamentos inovadores. Globalmente, foram dispensadas 152 milhões de embalagens em farmácias comunitárias em regime de ambulatório, um crescimento de 6% face a 2024. Já nos hospitais, o acréscimo no volume foi de 9%.

Os valores de crescimento agora conhecidos não incorporam na totalidade as contribuições resultantes de devoluções ao SNS pela indústria farmacêutica, no âmbito dos contratos de financiamento. Um apuramento mais definitivo só ficará concluído após o fecho de dezembro, foi ressalvado.

NR/HN/Lusa

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