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O Serviço Nacional de Saúde gastou mais 257 milhões de euros em medicamentos nos hospitais nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 14,9% face ao período homólogo de 2024. Os dados, divulgados esta sexta-feira pelo Infarmed em comunicado conjunto com o Ministério da Saúde e o próprio SNS, revelam que a despesa global nestes estabelecimentos se aproximou da marca dos dois mil milhões de euros, um valor que foi avançado pelo jornal Público.
A nota oficial, que não surpreende os observadores mais atentos do setor, atribui a escalada ao reforço do acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, ao alargamento do número de utentes e à introdução de medicamentos inovadores no mercado. A fatura terapêutica continua a ser puxada, de forma bastante clara, pela oncologia. Só esta área foi responsável por um agravamento de 122,1 milhões de euros, com destaque para o consumo crescente de Pembrolizumab, um imunoterápico usado em vários tipos de cancro que, por si só, justifica 21,6 milhões de euros de despesa adicional.
Pelo meio, o programa nacional de vacinação também pesou na factura, com um crescimento de 27 milhões de euros. Mas nem todas as terapêuticas acompanharam esta trajectória ascendente. Os medicamentos para a artrite reumatóide, psoríase e doenças inflamatórias intestinais registaram uma quebra de 4,8 milhões de euros, uma consequência directa da entrada no mercado de um biossimilar do ustecinumab.
É importante notar que estes valores de crescimento ainda não reflectem na totalidade as contribuições financeiras da indústria farmacêutica, no âmbito dos mecanismos de regulação acordados. Esses acertos, que podem atenuar a factura final, só ficarão apurados após o fecho do ano. E a verdade é que o acordo com a APIFARMA está lá para funcionar precisamente em cenários destes: se a taxa de crescimento da despesa líquida ultrapassar os 7% face a 2024, o sector é chamado a contribuir adicionalmente para travar a subida.
Já no ambulatório, a história repete-se, ainda que com números ligeiramente diferentes. A despesa cresceu 13,1%, mais 162 milhões de euros, com as farmácias comunitárias a dispensarem 152 milhões de embalagens, um aumento de 6%. Doenças cardiovasculares e diabetes, com a sua alta prevalência no país, estão na linha da frente deste consumo. Enquanto isso, a quota dos genéricos nos hospitais estabilizou nos 56,9%, um dado que muitos gostariam que fosse mais expressivo face aos encargos que se acumulam.
NR/HN/Lusa



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