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O Mestrado Integrado em Medicina (MIM) do IUCS-CESPU posiciona-se como um projeto inovador no ensino médico em Portugal. Ricardo Dinis-Oliveira, o seu principal impulsionador, detalha em entrevista exclusiva ao Healthnews os pilares diferenciadores: um modelo pedagógico centrado no estudante, contacto clínico desde o primeiro ano e um forte compromisso com o SNS e as regiões do Interior Norte, materializado no futuro Centro Académico Clínico CESPU-ULS Tâmega e Sousa
HN – O que define verdadeiramente o projeto educativo do Mestrado Integrado em Medicina da CESPU e em que aspetos concretos se considera que ele é diferenciador face às restantes escolas de Medicina em Portugal?
Ricardo Dinis-Oliveira (RDO) – O Mestrado Integrado em Medicina do IUCS-CESPU representa uma nova geração de formação médica, inspirada nas melhores práticas europeias e guiada por um modelo humanista, científico e integrador. Distingue-se por um modelo pedagógico centrado no estudante, com integração precoce das ciências básicas, clínicas e comportamentais. O carácter cooperativo e sem fins lucrativos da CESPU permite reinvestir todos os recursos em qualidade pedagógica, investigação e infraestrutura. Um pilar estruturante é a criação do Centro Académico Clínico CESPU–ULS Tâmega e Sousa, que irá articular a formação médica, a investigação biomédica e a prestação de cuidados. A isto soma-se o Centro de Simulação Biomédica, recentemente reequipado, que oferece treino clínico em ambiente seguro e controlado.
HN – Um dos pilares anunciados para este curso é a forte aposta no ensino clínico desde o primeiro ano. Pode detalhar como é que esta imersão precoce será operacionalizada e que vantagens específicas traz?
RDO – O MIM inaugura um modelo de ensino clínico em camadas progressivas. Começa logo no primeiro ano com a “Vivência Observacional em Saúde”, uma experiência estruturada em hospitais e centros de saúde onde os estudantes aprendem sobre organização hospitalar, trabalho em equipa e comunicação com o doente. Nos anos seguintes, esta imersão evolui para estágios supervisionados em Medicina Familiar e Comunitária e outras áreas clínicas nucleares, com um rácio tutor/estudante excecional, que chega a ser de 1:1 no 6.º ano. Esta progressão desenvolve literacia em saúde, empatia e raciocínio clínico precoce, formando médicos mais empáticos, seguros e com uma compreensão sistémica do SNS.
HN – O MIM conta com uma extensa rede de unidades hospitalares e parcerias com instituições de renome. Como é que estas colaborações se refletem na qualidade do curso?
RDO – O MIM é suportado por uma rede de parcerias clínicas e académicas de excelência, que inclui o Grupo Trofa Saúde, o Hospital Escola da CESPU e cerca de 20 outros hospitais, bem como Unidades Locais de Saúde do Tâmega e Sousa, Matosinhos, Nordeste e Alto Ave. A colaboração internacional com a Universidade de Barcelona e a Harvard Medical School reforça o padrão científico e a dimensão global do curso. Estas colaborações garantem experiências clínicas diversificadas, desde contextos urbanos a regiões do interior, e foram amplamente valorizadas no processo de acreditação.
HN – Para além das notas de acesso, o processo de seleção inclui uma entrevista vocacional. Qual é o objetivo principal desta entrevista e que perfil de candidato pretende recrutar?
RDO – O IUCS-CESPU adota um modelo de admissão humanista e exigente, que combina mérito académico com avaliação vocacional presencial. A entrevista procura identificar motivação, empatia, maturidade e vocação para o serviço público, indo além das simples classificações. O objetivo é recrutar candidatos com perfil ético, científico e humano, capazes de integrar o espírito cooperativo e comunitário da CESPU e as exigências da prática de uma medicina humanista.
HN – A abertura de mais vagas em Medicina, sobretudo no ensino privado, tem sido um tema de debate público. Como é que o MIM responde à necessidade de formar mais médicos para o país, nomeadamente para o interior norte?
RDO – O MIM do IUCS-CESPU é uma resposta concreta à necessidade nacional de formar mais médicos, especialmente para as regiões do Norte e do Interior, onde a escassez de profissionais é mais grave. A ligação estreita a ULS como a do Tâmega e Sousa, Nordeste e Alto Ave permite que os estudantes se formem em contextos que refletem a realidade do SNS, promovendo a fixação de médicos em territórios carenciados. Longe de competir com as escolas públicas, o MIM reforça o sistema formativo nacional, em complementaridade e cooperação com o SNS.
HN – O currículo do MIM dá um destaque particular a áreas como a Geriatria, os Cuidados Paliativos e a Medicina de Emergência. A que se deve esta opção estratégica?
RDO – O currículo valoriza áreas-chave para o futuro da medicina, como Geriatria, Cuidados Paliativos, Medicina de Urgência e Emergência, Saúde Pública, One Health e Inteligência Artificial Biomédica. Estas opções refletem uma estratégia pedagógica de antecipação dos desafios demográficos e tecnológicos, preparando médicos aptos para atuar em sociedades envelhecidas, digitalizadas e globalmente interconectadas. O projeto beneficia ainda da integração com a UCIBIO, uma unidade de investigação de excelência que transfere conhecimento diretamente para a prática clínica.
HN – Com estudantes distribuídos por uma vasta rede de estágios que se estende até Bragança, que mecanismos de apoio logístico e de acolhimento estão previstos?
RDO – O IUCS-CESPU garante condições de estabilidade, alojamento e apoio contínuo. O Hospital Escola de Vila do Conde, com residência universitária para cerca de 100 estudantes, é o núcleo central. Estão previstas residências e apoios logísticos também em Penafiel, Guimarães e Bragança. O ensino clínico decorrerá maioritariamente num raio de 40 km do campus principal, com transporte gratuito através do Passe Unir. Cada estudante tem acesso a tutores clínicos dedicados e acompanhamento individualizado, assegurando a integração plena nas equipas de saúde.



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