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Com a chegada de novembro e do tempo mais frio, aproxima-se também uma época que é de grande sobrecarga para o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Os próximos meses são, como já é de conhecimento geral, propensos a uma maior circulação de vírus respiratórios. A vacinação continua a ser a medida mais eficaz na prevenção da gripe e as farmácias têm assumido um papel preponderante nas ações de sensibilização e de agilidade dos processos.
Em janeiro deste ano as urgências estavam sobrecarregadas, com registo de mortes acima do esperado. Ainda de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), na época gripal 23/24 foram registados 38.771 casos de infeções respiratórias agudas e mais de seis mil casos de gripe. As unidades de cuidados intensivos e os serviços de urgência são os que mais ficam sobrecarregados com estes casos, havendo por isso, uma necessidade cada vez maior de apostar na prevenção.
Embora os picos de gripe em Portugal apresentem números elevados e causem sérios constrangimentos no SNS, a realidade é que as estratégias de sensibilização têm tido um impacto positivo. Portugal foi o terceiro país europeu com maior cobertura de vacinação contra a gripe no último inverno, com uma taxa de 71%, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) – estado ainda assim ligeiramente abaixo da recomendação deste organismo (75%). Já de acordo com o Vacinómetro 23/24, 77,7% dos cidadãos portugueses com 65 anos ou mais foram vacinados contra a gripe, cumprindo assim a meta mínima da Organização Mundial de Saúde (75%), mas com margem de melhoria. Contudo, há ainda faixas etárias que causam preocupação: o grupo entre os 60 e os 64 anos (ainda abaixo dos níveis de referência), assim como as crianças entre os 23 meses e os seis anos de idade. Estes últimos fazem parte do grupo que já neste ano passou a ter a vacina comparticipada, dado que, segundo a DGS, apresenta taxas de hospitalização e de cuidados intensivos equiparáveis às registadas entre as pessoas mais idosas.
É precisamente neste contexto que a integração das farmácias se revela estratégica. Em Portugal, a campanha de vacinação contra a gripe decorre em mais de 3.500 pontos, dos quais cerca de 2.500 são farmácias. Estas funcionam, assim, como pontos descentralizados de vacinação e de proximidade com a população, tendo contribuído para a democratização do acesso à vacinação, em particular em zonas rurais ou junto de populações com maiores dificuldades de mobilidade.
Por potenciarem o acesso à vacinação, as farmácias reforçam a cobertura vacinal, garantindo, mais do que conveniência, a eficiência do sistema. Ao assegurarem rapidez, segurança e confiança – sendo as farmácias muito vezes o primeiro local onde a população pede aconselhamento e esclarece dúvidas – são espaços que permitem garantir o sucesso da campanha de vacinação, libertando recursos humanos e infraestruturas do SNS, que podem assim concentrar esforços nos casos clínicos mais urgentes.
Enquanto profissional nesta área, defendo que é tempo de consolidar ainda mais esta visão integrada. É necessário investir em formação contínua junto dos farmacêuticos, reforçar o sistema de registo partilhado e promover campanhas direcionadas para os grupos com menor taxa de adesão.
A vacinação é um exercício de cidadania e a participação ativa das farmácias é, sem dúvida, uma ferramenta para o tornar mais eficaz e eficiente.


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