Durão Barroso defende longevidade como oportunidade económica e rejeita decrescimento

17 de Novembro 2025

O presidente do Fórum EuroAméricas, José Manuel Durão Barroso, afirmou que o aumento da longevidade representa uma grande oportunidade económica e criticou as ideias de “decrescimento” como forma de reduzir o impacto ambiental. 

Durante a sua intervenção na edição deste ano do Fórum EuroAméricas, que decorreu em Carcavelos sob o tema “Longevidade: Motor de Oportunidades Globais”, Durão Barroso salientou que “na Europa, há quem pense que não precisa de crescimento, há até a demagogia do ‘decrescimento’, mas isso é um erro”.

O ex-primeiro-ministro português e antigo líder da Comissão Europeia explicou que o “decrescimento”, conceito popularizado pelo filósofo francês André Gorz em 1972 e adotado recentemente por vários autores em resposta à crise climática e à pandemia de covid-19, defende uma redução voluntária da produção e do consumo para melhorar as condições ecológicas e sociais. Contudo, Durão Barroso defendeu que, “se formos capazes de ligar as gerações, podemos, no contexto do nosso modelo social, crescer em termos económicos mas também em termos humanos. É nessa aposta que devemos estar. Ver a longevidade como uma grande oportunidade”. Acrescentou ainda que “temos de nos deixar de ideias de decrescimento, temos de ter ambição” e “nunca perder o entusiasmo”.

No âmbito das relações euro-atlânticas, Durão Barroso destacou a importância do Atlântico para o crescimento dos países, afirmando que “a geografia tem mais força do que a história” e que “os EUA continuam a ser a maior potência do mundo e continua a ser do nosso interesse mantermos uma relação próxima”, apesar das dúvidas surgidas com a nova administração dos Estados Unidos liderada por Donald Trump. O presidente do Fórum EuroAméricas também referiu a criação de uma nova relação entre a Europa e o Canadá, que tem vindo a reforçar a cooperação com a América do Sul e Central.

Durão Barroso lembrou o sucesso do Acordo Económico e Comercial Global (CETA) de 2017, que elimina a maioria das taxas aduaneiras entre a União Europeia e o Canadá, e expressou a esperança de que o mesmo venha a acontecer com o bloco económico Mercosul, cujo acordo está previsto para ratificação a 20 de dezembro no Brasil. Apesar da oposição de vários países europeus, nomeadamente a França, devido a receios sobre as consequências no setor agrícola, Durão Barroso sublinhou que “espero e desejo que as objeções que ainda permanecem desapareçam rapidamente e que finalmente seja aprovado”, considerando que tal constituirá “uma expressão concreta de que não estamos [Europa] a favor do protecionismo”.

Sobre as críticas ao impacto do acordo no setor agrícola, Durão Barroso minimizou as preocupações, declarando: “É preciso ler os acordos. Conheço o projeto de acordo e consultei os melhores especialistas que há sobre agricultura europeia, incluindo sobre a agricultura francesa, e todos me dizem que vamos ser beneficiários líquidos, como aliás aconteceu em relação ao Canadá”. Recordou ainda que, aquando da elaboração do CETA, “houve uma grande oposição de muitos setores, dizendo que era muito mau para a Europa, mas a verdade é que, hoje em dia, é praticamente unânime que foi muito bom para a Europa”.

Durão Barroso alertou para o aumento do protecionismo, especialmente com a imposição de novas taxas aduaneiras pelos Estados Unidos, e afirmou que este fenómeno “tem de ser combatido” através da abertura dos mercados. Para além das questões económicas, o presidente do Fórum EuroAméricas destacou a importância de fortalecer as ligações humanas entre os dois continentes, lamentando que “fico muito triste quando vejo o quão pouco se fala do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil”, defendendo que “há uma dimensão humana que pode e deve ser potenciada”.

lusa/HN

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