Vacinação contra HPV salva mais de um milhão em países pobres

17 de Novembro 2025

O reforço da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) em países de baixo rendimento permitiu evitar mais de um milhão de mortes por cancro do colo do útero em apenas três anos, anunciou a Aliança para as Vacinas (Gavi). 

Este resultado é fruto de um esforço conjunto entre a Gavi, os países envolvidos, parceiros, sociedade civil e comunidades, que aceleraram a proteção de cerca de 86 milhões de raparigas contra a principal causa deste tipo de cancro.

O cancro do colo do útero continua a ser uma das doenças mais mortíferas para as mulheres, com uma morte a ocorrer a cada dois minutos a nível global. Esta patologia afeta de forma desproporcionada os países de baixo rendimento, que representam 90% das 350.000 mortes registadas em 2022, devido à escassez de serviços de rastreio e acesso a tratamentos adequados.

Até ao final de 2025, mais de 50 países terão introduzido a vacina contra o HPV com o apoio da Gavi, abrangendo coletivamente 89% dos casos mundiais de cancro do colo do útero. A organização estima que o seu programa terá evitado um total de 1,4 milhões de mortes. Um fator decisivo para este avanço foi a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022 para a utilização de um esquema de vacinação com dose única, em substituição das duas doses anteriores, o que permitiu vacinar o dobro de raparigas com os stocks existentes.

Em Portugal, a vacinação contra o HPV integra o Programa Nacional de Vacinação (PNV), sendo administrada a raparigas a partir dos 10 anos até à véspera dos 18 anos para otimizar a proteção. Desde 2020, esta vacinação foi também estendida a rapazes nascidos após 1 de janeiro de 2009, com o objetivo de reduzir o risco de desenvolvimento de certos tipos de cancro e outras doenças genitais provocadas pelo HPV.

lusa/HN

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