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Apesar destes números alarmantes, Portugal ainda não implementou um programa nacional de rastreio, contrariando recomendações da Comissão Europeia que, em 2022, apelou à criação de projetos-piloto ligados a programas de cessação tabágica.
Numa iniciativa conjunta da associação Pulmonale e da empresa farmacêutica Daiichi Sankyo, foi lançada uma campanha nacional de sensibilização sob o lema “Ao contrário do trânsito, o cancro do pulmão pode ser silencioso”. A campanha, visível em autocarros da Grande Lisboa e do Grande Porto, bem como em plataformas digitais, pretende alertar a população para a necessidade de vigilância, especialmente entre pessoas com fatores de risco como fumadores, ex-fumadores, exposição elevada a poluição ou histórico familiar da doença.
O principal desafio para o diagnóstico precoce reside na ausência de sintomas nas fases iniciais do cancro do pulmão, o que dificulta a deteção atempada. O tabagismo continua a ser o fator de risco mais determinante, associado a mais de 80% dos casos, mas outros elementos como a exposição a substâncias carcinogénicas, incluindo radão, amianto e poluição atmosférica, também são relevantes.
A campanha enfatiza que o diagnóstico precoce pode reduzir a mortalidade em pelo menos 20%, destacando o papel fundamental do médico de família na avaliação e encaminhamento dos doentes. A sensibilização para os fatores de risco e a implementação de rastreios estruturados são apontadas como essenciais para inverter o atual cenário, onde muitos doentes são diagnosticados em fases avançadas da doença, quando as opções terapêuticas são menos eficazes.
A Pulmonale, associação sem fins lucrativos fundada em 2009, tem como missão apoiar doentes e familiares, combater o estigma associado ao cancro do pulmão, promover a cessação tabágica e fomentar a investigação na área. Por sua vez, a Daiichi Sankyo, empresa global com mais de 120 anos de experiência, dedica-se ao desenvolvimento de tratamentos inovadores, nomeadamente em oncologia.
Esta iniciativa surge como um apelo à ação, reforçando a urgência de Portugal avançar para um programa nacional de rastreio do cancro do pulmão, que permita salvar vidas através da deteção precoce e do tratamento oportuno.
NR/PR/HN



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