Menos arsénio na água diminui mortes por cancro e doenças cardíacas

18 de Novembro 2025

Um estudo recente publicado na revista científica JAMA revela que a diminuição dos níveis de arsénio na água potável está associada a uma redução significativa da mortalidade por doenças crónicas, incluindo cancro e doenças cardiovasculares. 

A investigação, realizada por equipas das universidades de Nova Iorque, Columbia e Chicago, acompanhou durante vinte anos 10.977 homens e mulheres no Bangladesh, país que tem vindo a implementar medidas para reduzir a contaminação natural da água subterrânea por arsénio.

O país conseguiu reduzir os níveis de arsénio na água potável em cerca de 70% ao longo das últimas duas décadas. Durante o estudo, os participantes foram submetidos a análises de urina em seis ocasiões para monitorizar a exposição ao arsénio. Os resultados indicam que aqueles que passaram de níveis elevados para baixos de arsénio apresentaram um risco 54% inferior de morrer devido a doenças crónicas. Especificamente, a mortalidade por doenças cardíacas diminuiu 57% e por cancro 49%. Além disso, as taxas de mortalidade dos que reduziram a exposição ao arsénio tornaram-se semelhantes às daqueles que mantiveram níveis consistentemente baixos.

Foram registadas 1.401 mortes por doenças crónicas durante o período, incluindo 730 por doenças cardiovasculares e 256 por cancro. O estudo evidenciou que quanto maior a redução dos níveis de arsénio, maior a diminuição do risco de morte. Em contrapartida, pessoas que continuaram expostas a níveis elevados não registaram redução no risco de mortalidade. Estes padrões mantiveram-se mesmo após ajustes para fatores como idade, tabagismo e nível socioeconómico.

O arsénio, contaminante químico comum devido à sua acumulação natural nas águas subterrâneas, é insípido e inodoro, o que dificulta a deteção da sua presença pelas populações afetadas. No Bangladesh, mais de 50 milhões de pessoas estão expostas a níveis superiores ao limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 10 microgramas por litro. Este estudo é pioneiro ao fornecer provas diretas da relação entre a diminuição da exposição ao arsénio e a redução da mortalidade, numa região com níveis moderados de contaminação (menos de 200 microgramas por litro).

Anteriormente, investigações em Taiwan e Chile, onde os níveis de arsénio são mais elevados, também tinham associado a redução da exposição a melhorias na saúde e diminuição das taxas de mortalidade por doenças cardíacas e cancro. O trabalho realizado no Bangladesh reforça a importância das medidas de mitigação da contaminação por arsénio na água potável, que podem salvar vidas ao reduzir o impacto das doenças crónicas causadas por este contaminante.

lusa/JAMA/HN

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