Resistência aos antibióticos causa 35 mil mortes anuais na Europa

18 de Novembro 2025

A resistência aos antibióticos é responsável por mais de 35 mil mortes por ano na União Europeia e no Espaço Económico Europeu, segundo estimativas do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). Este fenómeno continua a aumentar, representando um grave desafio para a saúde pública na Europa.

O ECDC alerta que a incidência de infeções resistentes a antimicrobianos está a crescer em diversos países, colocando em risco procedimentos médicos essenciais, como transplantes de órgãos, tratamentos oncológicos, cirurgias e cuidados intensivos. Desde 2019, a taxa de infeções na corrente sanguínea causadas pela bactéria Klebsiella pneumoniae resistente à classe de antibióticos carbapenemes aumentou mais de 60%, apesar das metas europeias que previam uma redução de 5% até 2030. De igual forma, as infeções por Escherichia coli resistentes às cefalosporinas de terceira geração aumentaram mais de 5%, contrariando o objetivo de redução de 10%. Além disso, o consumo de antibióticos aumentou em 2024, quando estava prevista uma diminuição de 20%.

A resistência antimicrobiana ocorre quando bactérias, vírus, fungos e parasitas deixam de responder aos tratamentos habituais, tornando-os ineficazes e aumentando o risco de propagação de doenças graves e mortalidade. O aumento desta resistência, aliado à escassez de novos tratamentos eficazes, configura uma crise de saúde pública em evolução na Europa e no mundo.

O ECDC destaca a necessidade urgente de inovação em três áreas: a implementação de ações enérgicas para o uso responsável dos antibióticos, práticas sustentadas de prevenção e controlo de infeções, e o desenvolvimento de novos antibióticos. Contudo, o desenvolvimento global destes medicamentos continua limitado, especialmente contra microrganismos prioritários para a saúde pública, como as bactérias resistentes aos carbapenemes. Atualmente, existem muito poucos novos antibióticos com mecanismos de ação inovadores próximos da aprovação.

A situação reforça a importância de garantir que ninguém na Europa fique sem opções eficazes de tratamento, sublinhando que a resistência antimicrobiana não é apenas uma questão médica, mas também social.

lusa/HN

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