Surto de cólera em Moçambique com quase 500 casos em dois meses e meio

18 de Novembro 2025

Moçambique registou quase 500 casos de cólera, com três mortos, no novo surto de cólera no norte do país em dois meses e meio, segundo dados do Ministério da Saúde.

De acordo com o último boletim diário da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 15 de novembro, dos 491 casos de cólera – mais 40 infetados na última semana -, 292 registaram-se na província de Nampula, com dois mortos, e 199 em Tete, que provocaram um óbito.

Desde setembro, 284 dos doentes com cólera tiveram de ser internados em unidades sanitárias, onde permanecem atualmente três pacientes.

No surto anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho passado, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de pelo menos 64 mortos devido à doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai doar 3,5 milhões de doses da vacina contra a cólera a Moçambique, anunciou em 22 de outubro o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, após uma visita à Suíça.

Após uma uma visita de três dias a Genebra, onde se reuniu também com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, o chefe de Estado disse que doação será usada para iniciar a execução do Plano de Eliminação da Cólera (PEC), aprovado em setembro pelo Conselho de Ministros e prevendo, como pilares cruciais, a vacinação preventiva contra a cólera em zonas de alto risco.

“Com este apoio da OMS nós iremos iniciar em breve ações neste sentido. Como é de conhecimento geral, a cólera ainda é um problema de saúde pública ao nível do nosso país”, disse Chapo.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

“O plano de eliminação da cólera representa o compromisso do Governo para eliminar a doença como um problema de saúde pública, através de uma abordagem integrada e multissetorial”, disse na altura o porta-voz daquele órgão, Inocêncio Impissa.

“A cólera continua endémica em várias regiões de Moçambique e do mundo, causando surtos recorrentes. A doença é multifatorial e o seu controlo e eliminação exige ações sobre os principais determinantes da doença”, acrescentou Impissa.

O objetivo do Governo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse ainda o porta-voz.

Segundo Impissa, o plano “será financiado por diferentes fontes, com destaque para o orçamento do Estado, de parceiros de cooperação bilateral e multilateral, parcerias público-privadas e organizações filantrópicas”.

lusa/HN

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