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Os antibióticos são medicamentos usados no tratamento de infeções causadas por bactérias e fazem parte de um grupo mais vasto designado por antimicrobianos. São amplamente utilizados em todo o mundo, mas nem sempre de forma correta. Um uso indevido pode comprometer a sua eficácia e colocar em risco a segurança das pessoas.
A 18 de novembro assinala-se o Dia Europeu do Antibiótico, uma data que visa alertar para os perigos do uso indiscriminado destes medicamentos e para a ameaça crescente da resistência aos antimicrobianos, uma das maiores preocupações de saúde pública a nível global.
Um problema real, que nos pode afetar a todos
Nos últimos anos, o agravamento deste problema tem sido evidente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a resistência aos antibióticos aumentou mais de 40% entre 2018 e 2023. O Relatório Global de Vigilância da Resistência aos Antibióticos de 2025 apresenta, pela primeira vez, estimativas da prevalência de resistência a 22 antibióticos essenciais no tratamento de infeções urinárias, gastrointestinais, da corrente sanguínea e sexualmente transmissíveis.
O aumento das resistências tem vindo a comprometer a eficácia de medicamentos fundamentais, reduzindo as opções terapêuticas disponíveis e exigindo, muitos vezes, o recurso a antibióticos de última linha, mais dispendiosos, com mais efeitos adversos e de difícil acesso.
O que podemos (e devemos) fazer no dia a dia
A boa notícia é que todos podemos contribuir para travar este problema. Pequenos gestos responsáveis fazem toda a diferença:
- Tomar antibióticos apenas quando prescritos por um médico, nunca por conta própria nem por indicação de terceiros;
- Cumprir o tratamento exatamente como foi prescrito, respeitando a dose, os horários e a duração, mesmo que não termine a embalagem;
- Não interromper o tratamento antes do tempo indicado, mesmo que os sintomas desapareçam ou se sinta melhor;
- Não guardar antibióticos para outras ocasiões, nem usá-los mais tarde sem nova avaliação médica;
- Não partilhar antibióticos com outras pessoas, mesmo que tenham sintomas semelhantes;
- Evitar insistir com o médico para prescrever antibióticos, lembrando que muitas infeções, como constipações ou gripes, são causadas por vírus e não se tratam com estes medicamentos;
- Entregar na farmácia os antibióticos que não foram utilizados, ou que sobraram de um tratamento anterior, para que tenham o destino adequado.
Devemos usar os antibióticos, sempre com responsabilidade. Preservá-los é garantir a capacidade de tratar infeções no futuro.
Cada decisão conta
Este não é um problema apenas dos hospitais ou dos profissionais de saúde. É um desafio coletivo que exige o envolvimento de toda a sociedade. A resistência aos antibióticos já afeta pessoas saudáveis, prolonga internamentos e aumenta o risco de complicações em situações clínicas comuns.
A gravidade desta ameaça é reconhecida a nível internacional. Em 2024, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma declaração política com metas claras para travar a resistência aos antimicrobianos, apelando ao reforço dos sistemas de saúde e à aplicação da abordagem “Uma Só Saúde” (One Health), que integra os sectores da saúde humana, animal e ambiental.
Fazer escolhas conscientes é um ato de cuidado, por nós, pelas nossas famílias e pelas gerações futuras, e um passo essencial para garantir a segurança de todos.


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