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A cirurgia robótica está a marcar a diferença no tratamento do cancro da próstata em Portugal, um país onde se projetam 7720 novos diagnósticos para 2025. A tecnologia, que chegou ao território nacional em 2010 através do sistema da Vinci, deixou de ser uma novidade para se tornar um pilar nas opções terapêuticas, com mais de 18 equipamentos ativos em hospitais públicos e privados.
José Teixeira de Sousa, Assistente Hospitalar Graduado da ULS São João e urologista no Hospital da Luz Arrábida, confirma que a prática robótica é hoje a primeira linha para muitos doentes. “Está indicada para carcinoma localizado, em doentes com esperança de vida superior a uma década”, explica, acrescentando que a decisão final assenta numa “avaliação individualizada” que cruza dados clínicos, preferências do utente e o parecer de uma equipa multidisciplinar.
O caminho percorrido desde a introdução do robô é visível nos blocos operatórios. Teixeira de Sousa descreve uma “visualização 3D de alta definição” que amplia o campo cirúrgico, permitindo identificar com minúcia estruturas anatómicas e vasos sanguíneos. Instrumentos articulados, que imitam o pulso humano, facilitam manobras em espaços restritos e suturas delicadas. “Permite disseções mais rigorosas, com margens de resseção mais seguras”, realça o especialista.
Na vida concreta dos doentes, esta precisão técnica traduz-se em menos perdas de sangue, menor dor e uma recuperação acelerada. A maioria recebe alta entre 24 a 72 horas após a intervenção. A recuperação da continência urinária e da função sexual, embora progressiva e dependente de fatores como a idade, regista hoje outcomes mais favoráveis.
A expansão da tecnologia pelo país, com metade dos sistemas instalados no Serviço Nacional de Saúde, ajuda a desmistificar a ideia de um recurso elitista. Teixeira de Sousa vê na robótica um fator de sustentabilidade, desde que implementada com “volume adequado e boa gestão clínica”. Internamentos mais curtos libertam camas e reduzem custos por caso, enquanto uma recuperação funcional mais rápida diminui a necessidade de terapias prolongadas.
Contudo, o avanço tecnológico esbarra numa barreira cultural. A vergonha e o medo continuam a afastar muitos homens da prevenção. O urologista deixa um apelo simples: “Uma próstata saudável pode garantir mais anos de vida”. Aos 50 anos, ou aos 45 quando existe historial familiar, é essencial uma avaliação médica, “sem vergonha nem receios”. O diagnóstico precoce mantém-se como a peça-chave para tratamentos menos invasivos e com melhores resultados a longo prazo.
PR/HN



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