Escolha da especialidade médica arranca com mais vagas, mas persistem incertezas

19 de Novembro 2025

O processo de escolha da especialidade médica iniciou-se com 2330 postos, um número historicamente elevado, para cerca de 2370 candidatos. O Sindicato Independente dos Médicos espera, contudo, que nem todas as vagas venham a ser preenchidas, num reflexo das condições exigentes que continuam a marcar a formação

O concurso de escolha da especialidade médica está em marcha, colocando na mesa 2330 vagas para um universo de aproximadamente 2370 candidatos. A oferta, que representa um acréscso significativo, é encarada pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) como uma janela de oportunidade para atacar a carência crónica de especialistas que se faz sentir no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Apesar disso, a organização sindical não esconde o seu cepticismo e antevê que, tal como nos anos anteriores, uma parte dos lugares não venha a ser ocupada.

Num apelo dirigido aos médicos, o SIM incentiva os profissionais a aproveitarem as vagas abertas pelo Governo e pela Ordem dos Médicos, sublinhando a existência de uma “capacidade formativa alargada” e de um esforço coletivo para melhorar as condições de entrada na especialidade. Aproveitar esta oportunia, argumentam, significa dar um passo decisivo para um percurso formativo mais sólido e, ao mesmo tempo, contribuir para um SNS com maior capacidade de resposta.

Mas o mesmo comunicado não ilude o contexto difícil em que esta decisão é tomada. Um estudo recente apoiado pelo SIM, disponível para consulta pública, traça um retrato sombrio do dia a dia dos internos: carga laboral excessiva, horas extra por pagar, autonomia clínica precoce e custos pessoais avultados com a formação. São realidades que, reconhece o sindicato, alimentam dúvidas legítimas e justificam um clima de hesitação entre muitos dos que agora têm de optar por um rumo na sua carreira.

O alerta, porém, também está lançado. O SIM adverte para o perigo concreto de um médico permanecer sem especialidade ao longo de toda a vida activa, uma situação que acaba por limitar o seu desenvolvimento técnico-científico e as suas progressões na carreira, além de representar um prejuízo irreparável para a rede hospitalar pública. Compreendemos as incertezas, mas isso não pode levar ao desperdício desta chance, insiste a estrutura sindical.

Na mesma nota, o SIM recorda o trabalho que tem vindo a desenvolver na defesa de melhores condições para o internato, com avanços já alcançados na valorização salarial e na protecção do trabalho durante a formação. E, porque o Estado não criou mecanismos de apoio directo, mantém um fundo próprio de 150 mil euros anuais para financiar actividades de formação e investigação dos médicos internos.

O sindicato promete ainda marcar presença activa na revisão do regime do internato médico, que está para breve, defendendo as reivindicações dos profissionais por um modelo mais justo e transparente, alinhado com as necessidades reais do SNS. O acompanhamento de todo o processo de escolha da especialidade continuará a ser uma prioridade, assegura.

NR/HN/Lusa

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