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O panorama demográfico português, traçado por linhas de um envelhecimento populacional inescapável, encontra hoje um palco de debate em Torres Vedras. A empresa familiar Vida Maior conseguiu congregar no mesmo espaço uma constelação de vozes que, na prática, desenham as políticas e os cuidados para a faça etária mais velha. O seminário “Caminhos para a Longevidade” não é mais um evento no calendário, mas um ponto de confluência para setores que, frequentemente, dialogam de forma estanque.
A manhã foi dedicada aos grandes quadros, àquilo a que Ana Clara Silva, do Governo Regional da Madeira, chamou de “reorganização do futuro coletivo”. Nos corredores, comentava-se a intervenção de Helga Correia, da Assembleia da República, que trouxe para a mesa a complexa equação da sustentabilidade económica face aos imperativos de uma vida com mais qualidade. A perspectiva europeia, trazida por Ana Umbelino, adensou o debate, lembrando que Portugal não navega sozinho nestas águas.
Já a tarde mergulhou num dos aspectos mais temidos da longevidade: as demências. A plateia, composta por centenas de profissionais do setor, ouviu Ana Valverde, diretora de Neurologia da CUF, explicar a delicadeza necessária no acompanhamento dos primeiros sinais, muitas vezes ambíguos. Manuel Santos, da Universidade de Coimbra, seguiu-lhe o passo, falando dos caminhos da inovação nos cuidados, não como uma promessa vaga, mas como uma necessidade premente. A conversa, por vezes técnica, não perdeu o fio da meada: a pessoa que está por trás da doença.
Há, de facto, uma sensação de que o tema saiu da sombra. A presença de Simone de Oliveira como embaixadora do evento confere-lhe uma aura familiar, quase íntima, que contrasta com a frieza dos números. A artista, cuja história de vida toca muitos portugueses, funciona como um rosto para uma discussão que pode parecer abstracta.
O evento, que conta com o apoio da Câmara Municipal local e de empresas como a INDAS e a MySenior, não se esgota no debate. A Vida Maior, organizadora do encontro, faz questão de salientar a sua missão prática, que vai das estruturas residenciais à Academia, um braço formativo que pretende alastrar boas práticas. É esta dupla face – a reflexão e a ação no terreno – que talvez defina o espírito de um dia intenso de trabalho, onde se percebe que preparar o país para o envelhecimento é, no fundo, redesenhar o próprio contrato social para as décadas que se avizinham.
Para mais informações sobre o programa e oradores, consulte: https://vida-maior.com/seminario-longevidade-2025/
PR/HN



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