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O setor privado de saúde na Europa enfrenta uma crise multifacetada que coloca em risco a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. A escassez de profissionais de saúde e a pressão financeira são os principais motivos para este cenário, de acordo com o Factbook 2025 da União Europeia de Hospitalização Privada (UEHP), apresentado esta terça-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
O eurodeputado português Sebastião Bugalho foi o anfitrião do evento, que contou ainda com a presença do relator do documento, Paul Garassus, antigo presidente da UEHP. A apresentação do relatório, que pode ser consultado integralmente em www.uehp.eu, serviu de palco para um diagnóstico sombrio. O texto não hesita em afirmar que “os hospitais na Europa estão em crise. Crise de financiamento, crise no recrutamento, dificuldades no cumprimento das suas responsabilidades”.
A questão dos recursos humanos surge como particularmente premente. O documento sublinha uma dificuldade transversal em recrutar uma nova geração de profissionais, um problema que não poupa nenhum país. Itália e Portugal são mencionados de forma explícita, com o relatório a antever que “toda uma geração de profissionais vai reformar-se nos próximos dez anos, sem garantias de poderem ser substituídos”. Esta constatação leva a uma conclusão abrangente e direta: “O risco da degradação de serviços devido à falta de pessoal e às dificuldades de financiamento é, infelizmente, uma realidade. Todos os setores da saúde estão afetados”.
Para além do capital humano, o Factbook 2025 identifica outros pontos de pressão. A instabilidade regulatória e os “investimentos significativos necessários para a transição digital e a cibersegurança” são encarados como desafios adicionais num setor que é um dos maiores empregadores da União Europeia. A hospitalização privada representa atualmente 42% de todas as camas hospitalares no espaço comunitário, agregando mais de 6.000 hospitais e clínicas.
O panorama português é especificamente analisado, revelando um setor que cresceu para representar 33% da atividade hospitalar nacional. Os 131 hospitais privados em Portugal realizaram, em 2023, mais de nove milhões de consultas e 1,4 milhões de atendimentos de urgência. Contudo, esta expressão numérica esbarra nos mesmos obstáculos sentidos no resto do continente, com o relatório a destacar de forma crua “a escassez dos profissionais de saúde, sobretudo médicos das várias especialidades hospitalares”.
A apresentação desta edição do Factbook, a primeira sob a presidência de Oscar Gaspar na UEHP, contou ainda com intervenções de Guillaume Dedet, da OCDE, de Miguel Amado, da EY, e do eurodeputado Sérgio Humberto, numa sessão que juntou diversos especialistas em torno de um problema que, de acordo com o diagnóstico agora conhecido, não escolhe fronteiras.
PR/HN



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