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O setor do apoio domiciliário em Portugal tem capacidade ociosa para perto de dez mil utentes, um potencial por explorar que permitiria a milhares de idosos ou pessoas dependentes receberem cuidados no conforto das suas casas. De acordo com dados da Carta Social, citados pela AEPAD – Associação das Empresas Privadas de Apoio Domiciliário, existem atualmente 297 entidades licenciadas, com capacidade para 16.527 pessoas. No entanto, apenas 6.889 beneficiam destes serviços, deixando 9.638 vagas por preencher.
A distribuição geográfica revela assimetrias acentuadas. Os distritos de Lisboa, Porto e Braga concentram 66% das empresas – 100, 72 e 26, respetivamente –, sendo também aqueles que oferecem mais vagas disponíveis: 3.879, 1.999 e 1.186. Em contrapartida, mais de metade dos distritos nacionais têm dez ou menos respostas. Portalegre e Viana do Castelo, por exemplo, contam com uma única empresa, enquanto Bragança e Évora têm duas e Castelo Branco três. Esta desigualdade condiciona o acesso das famílias a um serviço que evita ou adia a institucionalização.
“Todos os dias, milhares de profissionais garantem higiene, alimentação, medicação e acompanhamento a pessoas que podem e preferem continuar em casa. Apoiamos perto de 7 mil pessoas, mas temos capacidade para ainda mais 10 mil famílias”, sublinha Nuno Afonso, presidente da AEPAD. Para o responsável, esta é “a diferença entre envelhecer com autonomia, mas acompanhado, nas casas que sempre conheceram, ou ser depositado num lar, onde se ocupa a vaga de quem realmente necessita, ou na cama de um hospital, por falta de alternativa”.
Olhando para a ocupação efetiva, Lisboa (3.490 utentes), Porto (1.477) e Faro (408) são os distritos com maior número de pessoas apoiadas em casa. Já as taxas de ocupação mais elevadas face às vagas existentes registam-se em Setúbal (63,7%), Bragança (52,4%) e Faro (49,3%). Nuno Afonso defende que, com quase 300 empresas no território de Portugal continental, o apoio domiciliário se afirma como “uma alternativa concreta aos internamentos desnecessários e à sobrecarga dos lares”. “É uma resposta sustentável, próxima e humanizada, parte essencial da solução para o envelhecimento digno e a coesão social”, conclui.
PR/HN



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