Funcionárias do SNS Detidas por Suspeita de Inscrição em Massa de Imigrantes Ilegais

20 de Novembro 2025

Duas funcionárias de uma unidade de saúde do norte foram detidas pela PJ por alegadamente integrarem uma rede de imigração ilegal. A investigação apurou que, em ano e meio, terão inscrito ilegitimamente cerca de dez mil imigrantes no SNS, com quase cincocentos a indicarem o mesmo endereço em Lisboa, segundo fontes da operação "Gambérria"

Duas funcionárias de uma unidade de saúde familiar na zona norte do país encontram-se detidas pela Polícia Judiciária (PJ), sob suspeita de integrarem uma rede criminosa dedicada ao auxílio à imigração ilegal. O esquema, desvendado no âmbito da operação “Gambérria”, terá permitido a inscrição massiva e irregular de cerca de dez mil imigrantes no Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante um período de ano e meio.

De acordo com uma fonte da Diretoria do Centro da PJ, em Coimbra, as empregadas administrativas recebiam instruções para inscrever os indivíduos sem exigir a documentação obrigatória, como o comprovativo de morada. “As senhoras recebiam a informação das pessoas que tinham de inscrever, sem preencher os critérios e eram inscritas em massa”, explicou a mesma fonte. “Estamos a falar de um universo enorme, conseguimos perceber que terão inscrito, num ano e meio, cerca de 10.000 pessoas”, acrescentou.

A dimensão do alegado esquema tornou-se particularmente visível através de uma anomalia detetada pelos investigadores: perto de quinhentas pessoas apareceram inscritas com a mesma morada, localizada numa rua de Lisboa. Este padrão repetitivo terá funcionado como um dos indícios que levou ao desmantelamento do grupo. A operação “Gambérria” continua em curso, com esforços para apurar a total extensão da rede e identificar outros intervenientes. O caso expõe, de forma crua, falhas no sistema de controlo de acessos à saúde pública e levanta questões sobre a vulnerabilidade de procedimentos administrativos a infiltração por grupos organizados. As detidas aguardam agora presentação a juiz para aplicação de medidas de coação.

NR/HN/Lusa

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