Médico ortopedista condenado a prisão efetiva por crimes de violação em Penafiel

20 de Novembro 2025

Um médico ortopedista foi condenado esta quarta-feira a uma pena única de quatro anos de prisão efetiva pela prática de crimes de violação sobre duas utentes. Os factos, considerados provados pelo Tribunal de Penafiel, ocorreram durante consultas no hospital local, em 2022 e 2023.

O médico ortopedista foi condenado a uma pena única de quatro anos de prisão com execução efetiva pelos crimes de violação que cometeu contra duas doentes. A sentença, proferida pelo Tribunal de Penafiel, põe fim a um processo que expôs um profundo abuso de confiança no contexto clínico do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

De acordo com a Procuradoria-Geral Regional do Porto, que emitiu um comunicado sobre o veredicto, os acontecimentos remontam a 12 de abril de 2022 e a 3 de maio de 2023. O coletivo de juízes considerou demonstrado que o profissional de saúde, aproveitando-se da sua posição e do pretexto de estar a realizar tratamentos necessários, forçou as duas mulheres a contactos de natureza sexual, atuando contra a sua vontade.

Para além da sentença de prisão, o arguido verá a sua atividade profissional suspensa pelo mesmo período de quatro anos. A medida coativa de proibição de exercer a medicina, que já vigorava, foi mantida pela sentença, impedindo-o deexercer. A acusação do Ministério Público, que deu origem ao julgamento, tinha sido deduzida a 9 de maio de 2024, descrevendo um modus operandi que se repetiu: a violação da integridade física e psíquica das vítimas no próprio espaço de consulta, um local onde os utentes depositam a sua confiança.

O caso, que agora aguarda trânsito em julgado, chocou a comunidade local e levantou questões sobre os mecanismos de proteção nos serviços de saúde. Durante o julgamento, que decorreu na comarca de Penafiel, sucederam-se os depoimentos que pintaram um quadro de constrangimento e de violação do código deontológico. A justiça considerou assim esgotadas as alegações de defesa, aplicando uma pena que afasta o médico da prática clínica por um longo período. A história ficou marcada por um silêncio incómodo, quebrado apenas pela coragem das duas mulheres em avançarem com queixa.

NR/HN/Lusa

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