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Ricardo Henriques, investigador do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, vai liderar um projeto que junta microscopia e inteligência artificial para observar, de forma prolongada, o processo de infeção viral em células vivas. O trabalho, agora financiado em 500 mil euros pelo Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde 2025, propõe uma abordagem inovadora que permite estender a observação de minutos para dias, sem danificar as células.
A luz intensa utilizada nos microscópios de alta resolução atuais limita a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de infeções, uma vez que compromete a viabilidade celular. O projeto “VirusAwareScopes: Machine Learning-Driven Adaptive Microscopy for Long-Term Viral Infection Studies” vem responder a essa dificuldade, incorporando algoritmos que ajustam as configurações do equipamento em tempo real. “A ideia é que os microscópios se adaptem inteligentemente, de forma semelhante ao que fazem as câmaras dos telemóveis, mas com um nível de sofisticação muito superior”, explica Henriques.
Inicialmente, a tecnologia será aplicada ao estudo do vírus da imunodeficiência humana (VIH). De acordo com estimativas das Nações Unidas, esta infeção poderá vir a afetar mais de seis milhões de pessoas e causar cerca de quatro milhões de mortes até 2029. A capacidade de observar o ciclo do vírus com maior detalhe e durante mais tempo poderá abrir portas a novas abordagens terapêuticas.
Ricardo Henriques, que já contribuiu anteriormente para o avanço da microscopia de super-resolução e para o desenvolvimento de ferramentas computacionais de código aberto, sublinha a importância da acessibilidade: “Queremos que esta tecnologia possa ser implementada em qualquer laboratório, contribuindo para a democratização da ciência e para o desenvolvimento de estratégias antivirais mais eficazes”.
O Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde 2025, uma iniciativa da Fundação ”la Caixa” e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, distribuiu 26,6 milhões de euros por 34 projetos, selecionados entre 714 candidaturas. O apoio agora atribuído reforça a aposta na inovação tecnológica como peça fundamental no combate a doenças com impacto global.
PR/HN



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