Administradores hospitalares alertam para necessidade de repensar financiamento para garantir inovação terapêutica

21 de Novembro 2025

Os administradores hospitalares portugueses defendem uma revisão do modelo de financiamento dos hospitais para assegurar a sustentabilidade da inovação terapêutica, que tem custos elevados e não está adequadamente refletida nos atuais métodos de cálculo financeiro. 

Atualmente, o financiamento baseia-se numa fórmula de capitação que utiliza dados desatualizados, calculados com base nos custos de dois ou três anos atrás, o que não contempla o impacto dos novos medicamentos inovadores que serão introduzidos em 2026.

Segundo a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), esta discrepância provoca desequilíbrios financeiros, especialmente em hospitais universitários, que tratam doentes de todo o país e não apenas da sua área geográfica, acumulando prejuízos ao adquirirem fármacos caros. Para fazer face a estes encargos, os hospitais acabam por assumir dívidas junto da indústria farmacêutica, que por sua vez recorre a financiamentos bancários com custos que eventualmente se refletem nos preços dos medicamentos.

Os responsáveis defendem a criação de mecanismos financeiros específicos para o pagamento de medicamentos inovadores, à semelhança do que acontece noutros países, onde estes custos são segregados do financiamento por capitação. Propõe-se ainda que o Estado antecipe a análise dos medicamentos pendentes de aprovação pelo Infarmed, estimando o seu impacto orçamental e o número de doentes a tratar, para integrar estes dados no financiamento hospitalar do ano seguinte. Desta forma, manter-se-ia o incentivo à eficiência hospitalar, mas com um ajustamento que mitigue os desequilíbrios financeiros causados pela incorporação de fármacos inovadores.

Esta questão será discutida numa conferência que acompanhará a divulgação do Índex Nacional de Acesso ao Medicamento Hospitalar, onde também se espera debate sobre o corte de 10% previsto pelo Governo nos gastos em bens e serviços na área da Saúde, medida que suscita preocupação entre os administradores hospitalares.

Esta revisão do modelo de financiamento é vista como essencial para que os hospitais possam continuar a garantir o acesso a tratamentos inovadores sem comprometer a sua sustentabilidade financeira e a qualidade dos cuidados prestados.

lusa/HN

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