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Num gesto de união política, a Câmara Municipal de Castelo Branco aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, uma moção que exige a atribuição da classificação de Nível II A à Unidade Local de Saúde no âmbito da proposta da Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria. O documento, proposto pelo presidente do executivo, Leopoldo Rodrigues, do PS, surge em total sintonia com o Conselho de Administração da ULS, que já havia contestado publicamente a proposta de ser integrada como Nível I B.
A moção não se fica pela mera contestação. No texto, o município apela expressamente ao Governo para que dote a unidade hospitalar de “todos os recursos humanos, técnicos e financeiros” necessários para que o Amato Lusitano possa afirmar-se, de facto, como um hospital de referência e prestar um serviço robusto à população da região. A decisão, sublinha-se, compreende a importância estratégica que a instituição assume para a Beira Baixa.
A pediatria não foi, contudo, a única matéria a merecer a atenção dos edis em sessão pública. O presidente Leopoldo Rodrigues colocou também sobre a mesa outra moção, igualmente aprovada sem votos contra, que versa sobre os projetos de centrais solares fotovoltaicas de grande dimensão previstas para o distrito. A Câmara assume o carácter imprescindível da transição energética, mas defende que este processo deve ser conduzido com cautela e uma dose de responsabilidade que, no seu entender, tem faltado.
A posição não é nova, mas ganha agora força institucional. Castelo Branco já se havia associado ao parecer formalmente desfavorável emitido pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa relativamente ao projeto da central solar Sophia. No fundo, o executivo albicastrense advoga uma postura preventiva face a estes empreendimentos de larga escala, argumentando que a transição energética não pode ignorar o ordenamento do território, a biodiversidade ou a qualidade de vida das comunidades.
Dois projetos de grande fôlego assomam sobre a região: a central Sophia, que abrange os concelhos do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, representando um investimento na ordem dos 590 milhões de euros e ocupando uma área vedada de 1.734 hectares; e a central da Beira, que prevê a instalação de 425.600 módulos fotovoltaicos numa área de 524,4 hectares, partilhada entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova.
Com uma veemência que transparece no texto aprovado, a autarquia alerta que o interior não pode servir de “cobaia” para projetos carentes de uma avaliação rigorosa e integral. A moção exige que quaisquer iniciativas futuras sejam escrutinadas com minúcia, tendo em conta o seu impacto tríplice – ambiental, social e económico – e garante que os benefícios destes investimentos, que são nacionais, não acarretem custos desproporcionais para as terras do interior, sem contrapartidas claras.
A sessão terminou com a aprovação de uma terceira moção, desta feita apresentada pelos vereadores do PSD e CDS-PP, com o apoio do Movimento Independente Sempre. A proposta visa dar início ao procedimento para a criação de um regulamento municipal de atribuição de apoios a instituições particulares de solidariedade social, fechando um dia de intenso debate político com um consenso alargado.
NR/HN/Lusa



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