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O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou hoje um plano de reestruturação que levará à eliminação de 2.900 postos de trabalho até ao próximo ano. A organização, que emprega aproximadamente 18.000 pessoas em todo o mundo, vê o seu orçamento encolher 17%, fixando-se agora em 1,9 mil milhões de euros.
Estes cortes, anunciados em comunicado, surgem como resposta a uma quebra significativa nas contribuições dos doadores. A situação é particularmente delicada porque ocorre num momento de agravamento das crises humanitárias, com mais de 130 conflitos ativos a assolar diferentes regiões do globo.
A presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, não escondeu o peso da decisão. “A realidade financeira está a obrigar-nos a tomar decisões difíceis para garantir que podemos continuar a prestar assistência humanitária essencial a quem mais precisa”, afirmou. Spoljaric alertou para o que descreveu como uma “perigosa convergência” entre o aumento da violência armada, cortes drásticos na ajuda internacional e uma crescente tolerância face às violações do direito humanitário.
Apesar dos constrangimentos, a organização fundada em 1863 assegurou que manterá a sua presença em cenários de conflito onde poucas entidades se aventuram, como no Sudão, entre Israel e a Palestina, na Ucrânia ou na República Democrática do Congo. O CICV já tinha implementado medidas de redução de pessoal em anos anteriores, mas agora avança com um plano que inclui despedimentos voluntários e a não substituição de trabalhadores que saiam naturalmente.
Este anúncio reflete uma tendência mais ampla no sector. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo, revelou na quarta-feira a necessidade de suprimir cerca de 1.300 lugares, na sequência de um défice orçamental de 500 milhões de dólares. A origem do problema está relacionada com a saída dos Estados Unidos como principal financiador e com a redução de contribuições de outros países.
Os Estados Unidos cortaram este ano o financiamento a várias organizações de ajuda, incluindo a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, justificou a medida com alegações de fraude e má utilização de recursos, referindo que mais de 80% dos programas da USAID foram cancelados. Esta posição levou vários outros países a reconsiderarem os seus investimentos.
De acordo com um estudo da revista The Lancet publicado em julho, a decisão dos EUA poderá ter um custo humano avassalador, estimando-se que resulte em mais de 14 milhões de mortes prematuras até 2030.
NR/HN/Lusa



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