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Segundo o Index Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar, 77% dos hospitais não realizam esta monitorização e a maioria também não reavalia as terapêuticas após a sua aplicação, o que limita a possibilidade de renegociar preços com a indústria farmacêutica. Além disso, 80% das instituições não fazem gestão dos dados relativos à efetividade e segurança dos medicamentos em contexto de vida real.
A despesa com medicamentos hospitalares atingiu 2.381,4 milhões de euros entre janeiro e setembro, um aumento de 14,9% face ao período homólogo, segundo dados do Infarmed. No ambulatório, a despesa cresceu 13,1%, num acréscimo de 162 milhões de euros. Esta rubrica integra os bens e serviços onde o Governo pretende aplicar um corte de 10%.
O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) destacou a importância da avaliação do impacto real dos medicamentos nos doentes, sublinhando que a ausência deste acompanhamento é um problema grave. A monitorização dos resultados permitiria ajustar os preços pagos à indústria farmacêutica consoante a concretização dos benefícios esperados, através de acordos de partilha de risco, prática ainda pouco utilizada em Portugal. Para incentivar esta avaliação, propõe-se a criação de incentivos específicos para os hospitais.
O Index revela ainda que 84% dos hospitais não dispõem de um sistema integrado de gestão de dados clínicos, financeiros e administrativos, o que dificulta a análise da relação custo-efetividade das intervenções em saúde. Entre as instituições que monitorizam os resultados das novas terapêuticas, 86% afirmam que este acompanhamento influencia a prática clínica e já levou à alteração ou criação de protocolos. Esta monitorização permite identificar se os medicamentos cumprem os efeitos desejados e possibilita a substituição por alternativas mais económicas, mantendo a eficácia e segurança.
No que diz respeito à dispensa de medicamentos em proximidade, apenas 40% dos doentes que levantam medicamentos no hospital beneficiam deste serviço, considerado insuficiente pelos especialistas. Por outro lado, o número de hospitais com consulta farmacêutica aumentou significativamente desde 2018, passando de 27% para 61%. A carga administrativa continua a ser apontada como uma das maiores barreiras no processo de compra dos medicamentos.
lusa/HN



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