Portugal regista menor peso das doenças cardiovasculares na mortalidade em trinta anos

21 de Novembro 2025

Portugal assistiu a uma redução relevante da mortalidade por doenças cardiovasculares, que em 2023 atingiu o valor mais baixo em três décadas.

A quebra, visível desde 2012, reflete menos internamentos e melhor letalidade hospitalar, fruto de maior acesso a tratamentos avançados e de uma melhor gestão dos fatores de risco nos cuidados de saúde primários. A DGS alerta, contudo, para desafios como as desigualdades regionais

A mortalidade por doenças do aparelho circulatório atingiu em 2023 o valor mais baixo das últimas três décadas, uma redução relevante que se vem a acentuar desde 2012. Os dados, divulgados no evento “Doenças cérebro e cardiovasculares em Portugal – Progresso clínico e organizacional na última década”, organizado pela Direção-Geral da Saúde, revelam uma quebra acentuada na taxa de mortalidade padronizada por doenças cerebrovasculares e por enfarte agudo do miocárdio entre 2017 e o ano passado. Paralelamente, os internamentos por problemas circulatórios também diminuíram, com um recuo substancial nos casos de insuficiência cardíaca. A letalidade dentro dos hospitais por enfarte e por acidente vascular cerebral isquémico melhorou de forma consistente, num período em que se verificou um notório aumento do acesso a terapêuticas avançadas de reperfusão.

Nos Cuidados de Saúde Primários, o panorama igualmente evoluiu positivamente entre 2015 e 2024. Registou-se um aumento da proporção de doentes com a pressão arterial controlada, assim como de pessoas com diabetes que mantêm níveis de colesterol LDL dentro dos parâmetros desejados. O número de consultas para deixar de fumar cresceu de forma marcada, indiciando uma melhoria no controlo dos principais fatores de risco. Apesar dos progressos, a Direção-Geral da Saúde identificou desafios por resolver, como as desigualdades regionais no acesso a cuidados diferenciados 24 horas por dia, sete dias por semana, a elevada letalidade dos AVC hemorrágicos, o número crescente de adultos com cardiopatia congénita e a necessidade de reforçar os cuidados primários, a reabilitação cardiovascular e a integração de cuidados. O evento que serviu de palco à apresentação destes indicadores realizou-se na Fundação Cidade de Lisboa.

PR/HN

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