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A Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho posiciona-se de forma clara contra a eventual retirada de valências nas áreas de pediatria, neonatologia e obstetrícia, conforme proposta em discussão a nível nacional. Num ofício enviado este dia 21 de novembro à Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, o presidente do conselho de administração, Luís Matos, sustenta que a unidade cumpre “integralmente” as orientações para manter a sua qualificação como nível IIB.
O documento, a que a Lusa teve acesso, defende que “não se afigura adequado retirar qualquer valência” ao hospital. Em paralelo, a administração estabeleceu o compromisso de criar uma Unidade de Cuidados Intermédios Pediátricos, um elemento considerado fulcral na proposta de referenciação. Esta medida, segundo a ULSGE, já foi integrada na sua “estratégia assistencial e operacional”, garantindo a “adequação da resposta clínica” e o “alinhamento com os padrões nacionais”.
Contactado pela agência Lusa, Luís Matos mostrou-se “muito tranquilo” e admitiu que a controvérsia em torno de uma suposta desclassificação poderá dever-se a “um lapso”. Afirmou que a unidade dispõe atualmente de uma pediatria, neonatologia e obstetrícia de elevado nível, com cirurgia pediátrica e todos os cuidados necessários. “Falta-nos um pequeno ponto”, reconheceu, referindo-se precisamente aos cuidados intermédios. “Temos o firme compromisso que em 2026 vamos ter unidade de cuidados intermédios pediátricos”, declarou, acrescentando que “se é só por isso que estão a ponderar a hipótese de nós sermos IIA em vez de IIB, o assunto morre e morre hoje”.
A possibilidade de redefinição de competências já tinha motivado intervenções políticas. O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, desafiou a ministra da Saúde a esclarecer os autarcas e profissionais, opondo-se “duramente” à desvalorização da ULSGE. Num tom mais asperoso, alertou para os “‘lobbys’ poderosos que continuam a mandar nisto tudo”. Do lado do PS gaiense, foi expressa preocupação com um “impacto negativo a milhares de utentes e famílias”, forçadas a deslocações ao Porto.
O ofício agora conhecido surge assim como a resposta oficial e técnica da administração hospitalar para travar uma polémica que considera infundada. Luís Matos foi perentório ao rejeitar o termo “desclassificação”, assegurando que a ULSGE não perderá valências e que os utentes não verão os seus cuidados comprometidos.
NR/HN/Lusa



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