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A província da Zambézia, no centro de Moçambique, contabiliza este ano nove mortes por malária, num universo de quase três milhões de casos notificados pelas autoridades de saúde. Os números, avançados esta sexta-feira, reflectem um ligeiro agravamento em relação ao período homólogo de 2024, que registara seis óbitos.
Blayton Caetano, director provincial de Saúde na Zambézia, sublinhou que a malária “é mais do que um problema de saúde”, defendendo que o seu combate exige “respostas integradas, inclusivas e coordenadas, que ultrapassam os limites do setor da saúde”. A afirmação foi feita durante uma actualização de dados sobre a doença, que continua a impor um fardo sanitário severo na região.
A distribuição geográfica dos casos mostra uma realidade fragmentada. Distritos como Chinde, Gilé, Gurué, Lungela, Milange, Mocuba, Mopeia, Morrumbela, Namacurra, Nicoadala e a própria capital provincial, Quelimane, concentram as incidências mais elevadas. Em contrapartida, áreas como Luabo, Maganja, Mocubela, Molumbo, Mulevala, Namarroi e Pebane apresentam tendências de redução, um alívio relativo num panorama geralmente sombrio.
Enquanto isso, chegam ventos de auxílio externo. Em Outubro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou que a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi) prevê disponibilizar 69 milhões de dólares ao país. Esta verba, paralelamente a um apoio do Fundo Global no valor de 3.100 milhões de meticais, visa reforçar a imunização e financiar programas de controlo do HIV/SIDA, tuberculose e da própria malária, para além de robustecer os sistemas nacionais de saúde.
Moçambique mantém-se numa luta complexa contra a endemia. Dados divulgados pela Lusa em Junho último indicavam que, entre Janeiro e Maio, o país registara mais de seis milhões de casos e pelo menos 270 mortes. A Zambézia surgia então, e mantém-se agora, como uma das províncias mais castigadas, seguida de perto por Nampula. Em 2024, a malária tinha provocado 358 óbitos a nível nacional, num total de mais de 11,5 milhões de casos.
No arsenal de combate, Moçambique já integra a vacina R21/Matrix-M, a segunda destinada a crianças, desenvolvida pela Universidade de Oxford. A sua utilização segue as directivas do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização e do Grupo Consultivo de Políticas sobre Malária, representando mais uma frente na batalha sanitária que, na Zambézia, se mede em milhões de infectados e vidas interrompidas.
NR/HN/Lusa



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