Portugal atribui 50 mil euros ao PAM para combater a má nutrição infantil no Lesoto

22 de Novembro 2025

Portugal doa 50 mil euros ao PAM para apoiar a nutrição de crianças no Lesoto. Verba destina-se a produção local de alimentos e formação em agricultura sustentável, visando combater défices alimentares

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) formalizou hoje uma contribuição de 50 mil euros do Governo português, quantia que se destina a melhorar a alimentação de crianças em idade escolar no Lesoto. A verba será aplicada num programa concreto de estímulo à produção local de frutas e legumes, produtos que integrarão as refeições servidas nas escolas. A iniciativa, segundo a organização, permitirá fornecer uma dieta mais variada e saudável aos alunos.

Em paralelo, o projeto prevê sessões de formação prática em agricultura sustentável para professores e membros de comités escolares de 72 estabelecimentos de ensino. Essas ações incluirão demonstrações de técnicas agrícolas adaptadas às alterações climáticas, um dado não despiciendo numa região com desafios ambientais palpáveis. O PAM adiantou que quase mil crianças com menos de cinco anos, no distrito de Berea, serão abrangidas de forma direta por este novo financiamento.

O embaixador português no Lesoto e na África do Sul, Carlos Costa Neves, manifestou, num comentário escrito, a consciência de Portugal face aos desafios nutricionais que o Lesoto enfrenta. “Através deste financiamento, reafirmamos o nosso apoio aos Objetivos Estratégicos de Desenvolvimento Nacional do Lesoto e esperamos que esta contribuição possa, de alguma forma, ajudar a melhorar a vida e o bem-estar do povo basotho”, afirmou o diplomata.

Já a diretora interina do PAM no Lesoto, Emily Doe, classificou o apoio financeiro de Portugal como vital para melhorar a nutrição no país, com especial enfoque nas camadas mais jovens. “Se as crianças não receberem nutrientes adequados nos primeiros anos de vida, isso pode resultar em dificuldades de aprendizagem, maior suscetibilidade a doenças e rendimentos mais baixos no futuro”, sustentou, realçando o carácter duradouro do problema.

Os dados compilados pelo PAM pintam um quadro preocupante: a má nutrição no Lesoto é responsável por níveis elevados de atraso de crescimento, por deficiências de micronutrientes e, de forma aparentemente contraditória mas igualmente preocupante, pela obesidade. Estas condições representam uma ameaça séria ao desenvolvimento social e económico do país. Um Inquérito Demográfico e de Saúde do Lesoto (2023–24), citado pela agência, vem corroborar esta realidade, indicando que uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de atraso no crescimento, ao passo que a obesidade afeta mais de 7% desta faixa etária.

NR/HN/Lusa

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