Quatro doentes indemnizados na Dinamarca por complicações oculares associadas a tratamento para obesidade

22 de Novembro 2025

Quatro doentes na Dinamarca receberam uma indemnização por desenvolverem problemas oculares graves após a utilização do medicamento para a obesidade Wegovy ou do medicamento para a diabetes Ozempic, anunciou o organismo que regula as indemnizações médicas.

Quarenta e três pessoas apresentaram pedidos de indemnização alegando terem desenvolvido uma condição ocular grave após a utilização de um dos tratamentos fabricados pela Novo Nordisk, informou a Associação Dinamarquesa de Indemnização de Doentes em comunicado divulgado na sexta-feira pela agência France-Presse (AFP).

A neuropatia ótica isquémica anterior não artrítica (Noian) é uma condição que afeta o nervo ótico e leva à perda de visão.

A agência de indemnizações, que analisou os primeiros cinco casos, concluiu que quatro deles eram elegíveis para receber indemnizações.

“É lamentável para os doentes afetados por este efeito secundário. A Noian é uma condição grave que causa danos permanentes e incuráveis à visão”, frisou Karen-Inger Bast, diretora da organização, em comunicado.

Estes casos são difíceis de avaliar porque estão ligados a um novo medicamento, e os doentes já apresentavam um risco aumentado de desenvolver Noian, acrescentou.

No total, receberão 800 mil coroas dinamarquesas (107 mil euros, à taxa de câmbio atual), mas este valor poderá aumentar consoante o impacto da condição na vida futura dos pacientes, por exemplo, se não puderem trabalhar tanto como antes, explicou a associação.

Na Dinamarca, a indemnização por despesas médicas é geralmente paga pelas autoridades de saúde.

Em dezembro de 2024, a Agência Dinamarquesa do Medicamento solicitou ao Comité de Avaliação do Risco de Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia do Medicamento que revisse um estudo dinamarquês que mostrava uma ligação entre a semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e a Noian.

Em junho, o PRAC concluiu que a Noian era um efeito secundário “muito raro” da semaglutida, afetando até 1 em cada 10.000 utilizadores.

A Novo Nordisk afirmou ter revisto a decisão relativa à indemnização para os doentes dinamarqueses.

Num comunicado enviado à AFP, o fabricante do medicamento indicou que, após as conclusões do PRAC, as bulas de todos os produtos com semaglutida foram atualizadas para incluir a Noian como uma reação adversa a medicamentos “muito rara”.

“O perfil benefício-risco da semaglutida continua favorável”, acrescentou o laboratório dinamarquês.

lusa/HN

 

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