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O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, afirmou esta sexta-feira que a contenção da cólera no país é uma batalha que se ganha, sobretudo, com investimento em saneamento básico e acesso a água potável. Na sua perspectiva, a natureza do problema transcende em larga escala as portas do seu próprio ministério, apontando falhas estruturais como o cerne da questão.
“Há dois principais problemas da cólera neste nosso país. Primeiro é a questão de saneamento básico do meio, e a segunda é a questão do abastecimento de água”, explicou Isse, traçando uma linha clara sobre a origem da crise. O governante não se coibiu de usar uma metáfora desportiva para descrever a pressão que recai sobre a pasta da Saúde. “É atirada a bola para o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde não tem culpa da cólera, mas como é uma doença que dá sinais e sintomas, temos que tratar”, disse, acrescentando de forma peremptória que “a responsabilidade da cólera, sob ponto de vista da intervenção, ultrapassa o setor da saúde”.
Os números mais recentes da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), compilados entre 03 de setembro e 15 de novembro, dão corpo à urgência das declarações. O país contabiliza um total de 491 casos de infeção, um acréscimo de 40 novos doentes na última semana, que resultaram em três mortes. O epicentro do surto atual divide-se entre as províncias de Nampula, com 292 casos e dois óbitos, e Tete, onde 199 infeções provocaram uma vítima mortal. Deste o início do surto, 284 pessoas necessitaram de internamento hospitalar, estando atualmente três ainda sob cuidados médicos.
Este novo foco de cólera surge na sequência de um outro surto, consideravelmente mais severo, que entre outubro de 2024 e julho último infectou 4.420 pessoas e causou a morte a 64 moçambicanos, a grande maioria também na província de Nampula.
Neste contexto, a anunciada doação de 3,5 milhões de doses de vacinas contra a cólera pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada a 22 de outubro pelo Presidente Daniel Chapo, surge como um paliativo crucial, mas não como a solução definitiva. O governo traçou para si mesmo a meta ambiciosa de eliminar a cólera como um “problema de saúde pública” até 2030. Um plano aprovado em setembro pelo Conselho de Ministros, com um custo avaliado em 31 mil milhões de meticais, procura atacar o problema. No entanto, as palavras do ministro Isse deixam claro que o sucesso deste desígnio dependerá, em última análise, de uma conjugação de esforços que vá muito para além do sector que dirige.



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