Secretário-geral do PS descreve “caos” na saúde e exige resposta de Montenegro

23 de Novembro 2025

O secretário-geral do PS afirmou que o executivo ainda não respondeu à proposta para a emergência hospitalar, sublinhando a legitimidade dos protestos pela saúde

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou este sábado que o Governo de Luís Montenegro mantém um silêncio incompreensível sobre a proposta socialista para a coordenação da emergência hospitalar, apresentada em julho. Falando à margem de um evento com a comunidade portuguesa no Canadá, o líder socialista acusou o executivo de falhar redondamente na garantia de previsibilidade no acesso aos cuidados de saúde.

“Volto a perguntar ao Governo onde está a proposta que lhe fizemos em julho para a gestão coordenada da emergência hospitalar. O primeiro-ministro tem o dever de responder ao PS e de explicar ao país por que razão a proposta não mereceu qualquer avaliação ou decisão”, declarou Carneiro, visivelmente incómodo com a falta de reação. A situação que se vive, nomeadamente na Peníssula de Setúbal e na Grande Lisboa, foi descrita por ele como “um autêntico caos”, com destaque para as dificuldades em obstetrícia, ginecologia e pediatria. “As grávidas têm direito a respostas previsíveis, seguras e atempadas, e isso não está a acontecer”, vincou.

Num registo por vezes mais emotivo, o socialista defendeu que as recentes manifestações em defesa do SNS, promovidas por comissões de utentes e sindicatos, “têm fundamento e legitimidade”. São, na sua opinião, a expressão de uma preocupação real das populações que reforça o apelo ao Governo para agir com urgência. A solução, insistiu, passa por uma mudança de paradigma. “Só é possível reformar o Serviço Nacional de Saúde se formos capazes de capacitar os cuidados primários”, explicou, argumentando que é essencial valorizar a saúde pública, os cuidados no domicílio e as especialidades médicas oferecidas nos centros de saúde. Esta aproximação das respostas às populações é, no seu entender, a condição essencial para aliviar a pressão hospitalar.

Carneiro não se ficou pelas críticas e esboçou o que considera ser o caminho, defendendo um aperfeiçoamento na articulação entre os cuidados primários e os hospitalares. Sem essa coordenação, disse, é inevitável o “estrangulamento da resposta de emergência hospitalar”. Sobre as prioridades políticas, afirmou que a saúde é a primeira prioridade do PS e deve sê-lo para qualquer governo, situando-a no mesmo patamar de questões como a habitação, os salários e a mobilidade. A sua visita ao Canadá, que incluiu uma gala no Magellan Community Centre, em Vaughan, com mais de duas mil pessoas, prolonga-se até domingo e envolve contactos com a comunidade luso-canadiana em Toronto e Montreal.

NR/HN/Lusa

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