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Um estudo internacional liderado pela Universidade de Surrey revela que as cidades estão a falhar a oportunidade de usar plenamente parques, rios, telhados verdes e outros elementos naturais para aumentar a sua resiliência climática. A investigação, a mais abrangente até à data, identifica 21 barreiras críticas e frequentemente negligenciadas que impedem a implementação eficaz da chamada infraestrutura verde e azul.
Apesar do reconhecimento dos seus benefícios para o arrefecimento urbano, controlo de cheias e bem-estar, a aplicação prática destas soluções naturais continua aquém das ambições políticas. O trabalho, que sintetiza mais de 500 artigos científicos e insights de 86 especialistas, aponta para obstáculos que vão desde conflitos com metas de energia renovável e consequências ambientais não intencionais, até à fragmentação regulatória e à subvalorização da biodiversidade e equidade social.
“Todos queremos ver mais parques, árvores e canais, pois esta infraestrutura é vital para arrefecer cidades, reduzir o risco de cheias e melhorar a saúde”, afirmou o Professor Prashant Kumar, diretor do GCARE e autor principal do estudo. “Contudo, a nossa investigação demonstra que a implementação fica, com demasiada frequência, a reboque das prioridades políticas.” Esta desconexão persiste mesmo perante o agravamento previsível de ondas de calor, inundações e poluição do ar.
A investigação, publicada na revista The Innovation, avança com doze recomendações para inverter o cenário. Entre elas, figuram a criação de estruturas de desenho adaptadas a cada contexto, investimento equitativo em bairros carenciados e a adoção de abordagens participativas que confiram às comunidades uma voz genuína na moldagem do seu ambiente. A Dra. Maria Athanassiadou, do Met Office do Reino Unido e coautora, sublinhou que o estudo “reúne perspetivas multidisciplinares para mostrar não apenas o que funciona, mas também por que razão por vezes não funciona”.
O trabalho posiciona a infraestrutura verde e azul como um caminho prático e acionável para a ação climática imediata, capaz de alinhar a redução de emissões com o reforço da resiliência urbana. Este esforço enquadra-se em iniciativas globais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Referências bibliográficas:
Kumar, P., et al. (2025). Overcoming the underexplored barriers for green-blue-infrastructure resilience. The Innovation. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S266667582500387X
NR/HN/AlphaGalileo



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