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ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou esta segunda-feira, na Guarda, a criação próxima de uma linha de financiamento destinada a requalificar os serviços de urgência hospitalar que se encontram numa situação mais debilitada. A governante, que visitou a Unidade Local de Saúde da Guarda no âmbito dos preparativos para o inverno, citou explicitamente os hospitais da Guarda e de Beja como exemplos de unidades carentes de intervenções profundas.
“Existem urgências por esse país fora que têm que ser requalificadas, precisam de obras fundamentais”, afirmou Ana Paula Martins aos jornalistas, sublinhando a impossibilidade de se continuar a trabalhar sob as atuais condições. A ministra defendeu que as obras são necessárias não apenas por uma questão de humanização para os doentes, mas também para reorganizar os circuitos internos, que considerou inadequados. “A urgência não tem os circuitos adequados que precisamos para que os doentes sejam recebidos, triados, encaminhados e depois fiquem em observação o tempo que precisam. Não podem é ficar em corredores e, neste momento, estão em corredores, mas não é de agora, estão em corredores há muitos anos”, descreveu, num raro momento de crueza diagnóstica.
Para além do investimento em infraestruturas, Ana Paula Martins admitiu carências em equipamentos de diagnóstico, como TACs e ressonâncias magnéticas, prometendo continuar a investir, com particular foco no interior do país através de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A intenção é compensar um atraso acumulado de “mais de duas décadas”, um reconhecimento tácito de desinvestimento prolongado.
A ministra não se ficou, contudo, pelas questões físicas das instalações. Alertou que melhorar as urgências não é suficiente sem uma articulação mais eficaz com os cuidados de saúde primários. Questionou o motivo de continuarem a chegar tantos doentes com triagem verde (menos urgente) ou azul, incluindo utentes de lares, que poderiam ser acompanhados noutros contextos. “Temos que organizar melhor os circuitos”, insistiu, revelando que, de um ano para o outro, foi possível redirecionar cerca de 40% dos casos de doença aguda menos urgente para consultas diferidas nos centros de saúde, um esforço em que a Linha SNS 24 teve um papel decisivo, ainda que insuficiente. O desafio, concluiu, passa por reforçar as respostas de proximidade e melhorar o funcionamento dos centros de saúde, na sua maioria do Modelo B.
NR/HN/Lusa



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