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Financiado pelo Observatório Social da Fundação “la Caixa”, este estudo analisou a relação entre a saúde psicológica e social dos jovens e a sua exposição a conteúdos online potencialmente prejudiciais.
Com uma amostra representativa de 2071 jovens entre os 10 e os 21 anos, de todas as regiões de Portugal continental e arquipélagos, e recolhendo respostas através de um questionário online entre maio e novembro de 2025, o estudo identificou que um em cada oito jovens já sentiu que “a vida não vale a pena ser vivida” ou pensou “em terminar com a minha vida, mesmo que não fosse realmente fazê-lo”. Além disso, um em cada nove jovens já desejou “estar morto”. Foram observadas diferenças significativas entre grupos, com os jovens mais velhos, do sexo feminino e com estatuto socioeconómico mais baixo a apresentarem níveis mais elevados de ideação suicida.
O estudo aponta três fatores principais que contribuem para o aumento dos pensamentos suicidas entre os jovens: o mal-estar psicológico geral, caracterizado por sintomas de ansiedade, tristeza persistente e desregulação emocional; a exposição a conteúdos online prejudiciais, nomeadamente aqueles que descrevem ou mostram formas de cometer suicídio; e o cyberbullying, que continua a ser uma forma de agressão digital altamente impactante para o bem-estar emocional dos jovens.
Por outro lado, o estudo identificou fatores que protegem e ajudam a reduzir o risco de ideação suicida. Entre estes destacam-se a autoestima elevada, a satisfação com a vida, a prática regular de atividade física, um sono de qualidade e a realização de atividades ao ar livre. O papel das famílias e dos amigos, quando atentos, presentes e emocionalmente disponíveis, é também fundamental, funcionando como verdadeiras âncoras psicológicas num contexto cada vez mais digitalizado e exigente.
Face à crescente ligação dos jovens às plataformas digitais, o estudo sublinha a urgência de atuar sobre os efeitos da exposição a conteúdos online prejudiciais e sobre os fatores que amplificam vulnerabilidades. É reforçada a necessidade de um maior controlo e responsabilização das plataformas digitais, bem como a criação de ambientes online mais seguros e adequados ao desenvolvimento dos jovens. Ademais, destaca-se a importância de reforçar a presença de psicólogos nas escolas, consolidar equipas multidisciplinares e promover respostas de prevenção contínuas e sustentadas em evidência científica.
Os resultados do estudo CARING evidenciam que os jovens portugueses estão vulneráveis e que a prevenção do suicídio juvenil requer atenção, investimento e presença nos contextos familiar, escolar e nas políticas públicas
NR/FPCEUP/AL/HN



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