Obesidade consome 20% do Orçamento de Estado para a Saúde em 2025

25 de Novembro 2025

A obesidade e suas comorbilidades representam um custo total de 3,4 mil milhões de euros, equivalente a um quinto da verba da saúde. Estudos revelam subutilização da cirurgia bariátrica, apesar da sua eficácia.

A obesidade, que afeta 28,7% da população portuguesa, está a drenar recursos significativos do sistema de saúde. Dois estudos recentes, desenvolvidos pela Consultora MOAI com apoio da Johnson & Johnson MedTech Portugal, expõem a dimensão económica e clínica do problema: o tratamento direto da doença custa 1,9 mil milhões de euros anuais, ao qual se somam mais 1,5 mil milhões em despesas com patologias associadas, como diabetes, hipertensão e vários tipos de cancro.

No conjunto, a obesidade e as suas complicações representam 3,4 mil milhões de euros – cerca de 20% do Orçamento de Estado para a Saúde em 2025. Estima-se ainda que as doenças relacionadas com a obesidade sejam responsáveis por 5.598 mortes anuais.

Apesar de a cirurgia bariátrica e metabólica se revelar uma opção custo-efetiva – com uma redução esperada de 8% em AVC, 69% em diabetes tipo 2 ativa, 25% em certos cancros e 59% em doenças cardiovasculares –, apenas 0,2% dos doentes com obesidade são encaminhados para este procedimento. A maioria (85%) é tratada com intervenções no estilo de vida, enquanto 14,8% recorre a farmacoterapia.

A longo prazo, a cirurgia permite uma poupança média de 4.534 euros por doente, em comparação com o tratamento convencional. Além dos ganhos financeiros, os doentes operados ganham, em média, mais sete anos de vida com qualidade.

Os estudos “The economic and healthcare burden of obesity in Portugal” e “Health and economic gains from bariatric surgery in Portugal” basearam-se em dados epidemiológicos, percursos clínicos e custos diretos apurados a partir de bases de dados nacionais.

A obesidade mantém-se, assim, como um dos maiores desafios de saúde pública no país, com 38,9% da população a viver com excesso de peso e uma prevalência superior nas mulheres (32,1%) do que nos homens (24,9%).

PR/HN

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