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Esta iniciativa é fundamental para a definição de políticas públicas eficazes no combate às doenças crónicas, atualmente a principal causa de morte e de custos na saúde pública portuguesa.
O estudo PULSAR Portugal, promovido e coordenado cientificamente pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) e pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), pretende avaliar a realidade atual do país face a estes problemas de saúde. Isto é particularmente relevante dado que os limites considerados saudáveis para indicadores como colesterol e tensão arterial mudaram significativamente na última década, assim como o perfil da população portuguesa, que está a envelhecer.
Além disso, os padrões de estilo de vida que influenciam a diabetes têm-se alterado, aumentando o chamado risco cardiometabólico, fortemente relacionado com obesidade e excesso de peso. Este fenómeno tem levado a um crescimento no número de pessoas com diabetes, pré-diabetes e risco cardiovascular elevado.
Para a recolha dos dados, cerca de 25 mil indivíduos com mais de 18 anos serão convidados a participar, numa amostra representativa distribuída por todo o território continental e ilhas. A metodologia inclui questionários, avaliações biométricas e análises laboratoriais, permitindo avaliar uma ampla gama de fatores de risco, incluindo novos indicadores emergentes, como a história obstétrica nas mulheres, para além dos tradicionais como tabagismo, hipertensão e diabetes.
O presidente da SPD recorda que, segundo dados atuais, a prevalência de diabetes na população adulta portuguesa ronda os 14,2%, o que corresponde a mais de um milhão de pessoas. Um dos objetivos do estudo é verificar se houve redução no número de pessoas por diagnosticar desde o último levantamento, uma vez que campanhas de sensibilização têm sido realizadas para melhorar o conhecimento e o diagnóstico da doença.
O projeto-piloto está previsto começar em dezembro deste ano, com os primeiros resultados a serem divulgados antes do final de 2026. A apresentação oficial do estudo decorreu na sede da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, em Lisboa, contando com a colaboração da IQVIA e do grupo SYNLAB.
Este estudo representa uma oportunidade única para compreender melhor a evolução dos fatores de risco em Portugal e para orientar intervenções preventivas que possam alterar o curso das doenças crónicas no futuro, especialmente entre os adultos jovens.
lusa/HN



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