SNS prevê aumento de consultas e cirurgias, mas cobertura de médico de família mantém-se

25 de Novembro 2025

A percentagem de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com médico de família atribuído deverá manter-se nos 85,37% até 2027, contrariando as previsões divulgadas no ano passado, que apontavam para uma cobertura de 98% dos utentes. 

Esta informação consta do Quadro Global de Referência (QGR) do SNS, publicado hoje em Diário da República.

O QGR prevê um aumento de 1,8% no número de trabalhadores no SNS ainda este ano, bem como um crescimento na produção total do SNS. O número de consultas médicas deverá aumentar, passando de 47.177.203 em 2025 para 48.125.465 em 2027. Adicionalmente, prevê-se um ligeiro aumento na percentagem de primeiras consultas de especialidade hospitalar referenciadas pelos Cuidados de Saúde Primários, com valores de 9,73% em 2025, 9,74% em 2026 e 9,75% em 2027.

No que respeita às intervenções cirúrgicas, o documento aponta para um aumento progressivo do número de cirurgias, estimado em 778.020 em 2025, 801.360 em 2026 e 817.388 em 2027. Paralelamente, está prevista uma redução nos episódios urgentes, que deverão diminuir de 4.994.888 em 2025 para 4.315.094 em 2027.

Relativamente aos indicadores de qualidade, o QGR aponta para uma redução da taxa de internamentos evitáveis na população adulta por 100.000 habitantes, que deverá descer de 540,38 para 493,86 entre 2025 e 2027. Prevê-se também uma subida na percentagem de cirurgias em ambulatório, no número de doentes encaminhados para hospitalização domiciliária e na taxa de cobertura dos rastreios oncológicos, que deverá atingir 46,40% em 2027.

Quanto ao acompanhamento de doentes crónicos – hipertensão arterial, diabetes e doença respiratória – o índice, que caiu de 75,70 em 2024 para 74,24 em 2025, deverá manter-se estável em 2026 e aumentar ligeiramente para 74,95 em 2027.

O despacho que define estas metas foi assinado pelo ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tendo sido elaborado após diálogo continuado com a Direção Executiva do SNS e diferentes instituições do Ministério da Saúde, em coordenação com o Ministério das Finanças.

lusa/HN

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