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A reduzida autonomia dos Centros de Investigação Clínica (CIC) na gestão de equipas e incentivos, aliada à falta de espaço nos currículos das faculdades de medicina para competências digitais, estão a travar a inovação no setor da saúde em Portugal. As conclusões são do Barómetro de Inovação Clínica 2025, um estudo da consultora global NTT DATA, que envolveu 48 entidades hospitalares e 10 faculdades de medicina.
Apesar de todas as direções das faculdades de medicina considerarem a preparação digital dos estudantes uma prioridade máxima, 56% das associações académicas discordam, classificando essa prioridade como baixa ou moderada na prática letiva. Esta rutura entre o discurso estratégico e a realidade pedagógica é visível na perceção da preparação dos alunos: enquanto 87% das direções a avaliam como moderada ou boa, 67% dos estudantes consideram-se pouco ou apenas moderadamente preparados.
O principal entrave à integração de temas digitais é unânime: a sobrecarga curricular, apontada por 75% das direções e 78% das associações de estudantes. Financiamento não surge como obstáculo significativo, o que sublinha a necessidade de uma reestruturação profunda dos planos de estudo. Apesar de existirem simuladores digitais em todas as faculdades, áreas como telemedicina, cibersegurança e ética digital continuam marginalizadas.
Nos hospitais, os CIC mantêm colaboração ativa com a indústria farmacêutica (75%), mas esbarram em modelos de gestão que limitam a contratação de recursos humanos e a definição de incentivos. A autonomia estratégica é considerada elevada em 60% dos centros para definição de estratégia, mas a operacionalização esmorece sem flexibilidade administrativa. O Despacho n.º 1739/2024, que visa reforçar essa autonomia, ainda não foi plenamente absorvido: 45% dos CIC não preveem usar as medidas previstas e apenas cinco iniciaram processos para se constituírem como associações sem fins lucrativos.
Patricia Calado, Head of Clinical Innovation da NTT DATA Portugal, alerta que “a inovação clínica não depende apenas de tecnologia, depende de pessoas capacitadas e estruturas ágeis”. Sem avanços nestas frentes, o país arrisca ficar para trás na transformação digital da saúde.
O relatório completo está disponível para consulta no site da NTT DATA.
PR/HN00



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