Prémios Pfizer distinguem medicina personalizada contra cancro e regulação metabólica

28 de Novembro 2025

Os Prémios Pfizer 2025 distinguem dois trabalhos de cientistas da Fundação Champalimaud que "abrem novas perspetivas" na medicina personalizada contra o cancro e na regulação do metabolismo, anunciou hoje a organização numa nota.

Na categoria de investigação clínica, o prémio foi atribuído a Rita Fior por um teste que recorre a modelos derivados do peixe-zebra para “prever com elevada precisão a resposta de doentes com cancro colorretal aos diferentes tratamentos disponíveis”.

Na categoria de investigação básica, o prémio foi para Henrique Veiga-Fernandes, que descobriu que o sistema imunitário, além de combater infeções, intervém na regulação dos níveis de açúcar no sangue, abrindo caminho para novas terapias de doenças como o cancro, a diabetes e a obesidade.

Os Prémios Pfizer, no valor global de 60 mil euros, distinguem anualmente dois trabalhos científicos desenvolvidos em instituições portuguesas na área das ciências da saúde, um de investigação básica e outro de investigação clínica, e são atribuídos pela farmacêutica Pfizer, que financia, e pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, que indica o júri que avalia as candidaturas.

A bióloga Rita Fior desenvolveu um método em que “pequenas amostras de tecido tumoral” retiradas de cada doente “são implantadas em embriões transparentes de peixe-zebra”, criando modelos que “reproduzem a evolução do tumor e a sua reação a diferentes terapias”.

Num estudo clínico com 55 doentes com cancro colorretal, o método revelou uma taxa de precisão próxima dos 90%, “oferecendo aos oncologistas uma nova ferramenta de apoio à decisão médica e evitando terapias ineficazes ou com efeitos adversos desnecessários”.

O trabalho do imunologista Henrique Veiga-Fernandes, que usou ratinhos como modelo, “demonstra pela primeira vez a existência de um circuito nervoso-imunitário-hormonal que regula a produção de energia e a manutenção dos níveis de glicose no sangue”.

Em períodos de jejum ou de maior exigência energética, como a prática de exercício físico, um tipo de células imunitárias conhecidas por ILC2 (células linfoides inatas tipo 2) migra do intestino para o pâncreas, estimulando a libertação da hormona glucagon, que “sinaliza ao fígado para gerar glicose a partir de reservas internas, assegurando o fornecimento contínuo de energia às células do corpo”.

Criados em 1956, os Prémios Pfizer são a mais antiga distinção científica em Portugal.

lusa/HN

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